Cinco são presos após briga supostamente causada por burquínis

Em Paris

  • Reuters

    Mulher nada de burquíni em praia de Marselha, na França

    Mulher nada de burquíni em praia de Marselha, na França

Pelo menos cinco pessoas foram detidas nesta quarta-feira (17) na ilha de Córsega, território francês no mar Mediterrâneo, após uma briga envolvendo norte-africanos e moradores do povoado de Sisco supostamente causada pelo uso de burquínis na praia local.

O procurador de Bastia, Nicolas Bessone, disse à emissora "France Info" que, dos cinco detidos, três são homens de cerca de 30 anos com origem no norte da África que residem na ilha, enquanto outros dois (de 20 e 50 anos) são de Sisco, povoado onde fica localizada a praia em que aconteceu a discussão.

Os três norte-africanos são suspeitos de terem utilizado armas durante o conflito, enquanto os residentes de Sisco são acusados de exercer violência em grupo. Os agentes locais ainda tentam esclarecer o incidente, já que as versões contadas pelos grupos são contraditórias.

Os investigadores não puderam confirmar se mulheres estavam utilizando o burquíni (traje de banho islâmico, que cobre completamente o corpo da mulher) na enseada de Sisco. A confusão teria começado quando jovens tiraram fotos da cena com seus celulares.

O fato teria iniciado uma discussão com insultos e violência física entre ambos os grupos, seguida por uma batalha campal, com vários feridos e carros queimados. O conflito foi encorpado por moradores da cidade convocados pelos jovens de Sisco que protagonizaram a rixa.

Na segunda-feira, o prefeito da cidade, Pierre-Ange Vivoni, ligado à esquerda, disse que o conselho municipal tinha decidido, de forma unânime, decretar a proibição do burquíni nas praias.

"Não sou contra a religião muçulmana (...), o que quero é acalmar nossa população e também os muçulmanos do nosso município", declarou Vivoni à "France Info".

"Além disso, a intenção é proteger os norte-africanos do meu município porque eles estão sendo envenenados por fundamentalistas. O fundamentalismo tem que ser varrido, todos os fundamentalismos", destacou o político.

Na visão do prefeito, o "conflito não foi causado pelo burquíni", mas porque os turistas tiravam fotos da paisagem. A cena foi repreendida pelas famílias de origem norte-africana presentes, o que causou a reação dos jovens do povoado em defesa dos visitantes.

A proibição em Sisco não é a primeira na França. Nas últimas semanas, outras cidades litorâneas com prefeitos ligados à direita já haviam restringido o uso do burquíni.

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