Oposição venezuelana visita Brasil em meio a conflito no Mercosul

Brasília, 17 ago (EFE).- O presidente da Comissão de Política Externa da Assembleia Nacional da Venezuela, Luis Florido, chegou nesta quarta-feira a Brasília, onde se reunirá com autoridades brasileiras em meio ao conflito surgido em torno da presidência do Mercosul.

Fontes da delegação liderada por Florido disseram à Agência Efe que o primeiro compromisso do deputado opositor será com o senador Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que integra a base política do presidente interino, Michel Temer.

Florido também tem prevista uma reunião com o chanceler José Serra, na qual será analisada a situação do Mercosul e também os esforços da oposição venezuelana pela realização de um referendo para revogar o mandato do presidente Nicolás Maduro.

Em relação ao Mercosul, será discutido o conflito surgido em torno da presidência do bloco, que o Uruguai entregou quando completou seu período no final de julho, e a Venezuela assumiu sem a aprovação da Argentina, Brasil e Paraguai, os outros três parceiros.

O conflito surgido por essa transferência subiu de tom nos últimos dias e levou Maduro a declarar "uma batalha" contra o que qualificou de "tripla aliança golpista de extrema-direita" e em defesa do que considera um "direito" da Venezuela.

Argentina, Brasil e Paraguai sustentam que a Venezuela, passado o prazo de quatro anos dado para se adaptar às normas do Mercosul, ainda não se adequou aos estatutos do bloco, por isso que não poderia assumir a presidência semestral.

As discórdias subiram de tom também entre Uruguai e Brasil, que na terça-feira convocou o embaixador uruguaio em Brasília, Carlos Amorin, para manifestar sua "descontentação" perante as declarações do chanceler desse país, Rodolfo Nin Novoa.

Segundo o jornal "El País" de Montevidéu, que teve acesso a uma declaração de Nin Novoa na Comissão de Assuntos Internacionais de Deputados do Uruguai, o chanceler afirmou que o Brasil pressionou para que não fosse entregue a presidência do bloco à Venezuela.

"Não gostei muito do chanceler Serra ter vindo ao Uruguai para dizer -tornou público, por isso digo- que vinha com a pretensão de suspender a transferência e que, além disso, se fosse suspensa, isso ajudaria em suas negociações com outros países, como querendo comprar o voto do Uruguai", disse Nin Novoa.

A Chancelaria brasileira reagiu e precisou que, na sua visita ao Uruguai em 5 de julho, o ministro Serra abordou o "potencial de aprofundamento" da relação com o Uruguai e "as oportunidades que os dois países podem e devem explorar conjuntamente com terceiros mercados".

Destacou, no entanto, que o motivo principal da viagem foi a busca de uma solução sobre a presidência temporária do Mercosul, que era ostentada pelo Uruguai e que por ordem alfabética corresponderia à Venezuela.

"Ao Brasil interessa um Mercosul fortalecido e atuante, com uma presidência pró tempore que tenha cumprido os requisitos jurídicos mínimos para seu exercício e seja capaz de liderar o processo de aprofundamento e modernização da integração", afirmou uma nota oficial divulgada pela Chancelaria.

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