PP autoriza Rajoy a negociar com liberais do Ciudadanos

(Atualiza com declarações do presidente do governo interino da Espanha Mariano Rajoy).

Madri, 17 ago (EFE).- A direção do governante Partido Popular (PP, centro-direita) autorizou nesta quarta-feira seu líder, Mariano Rajoy, a negociar com os liberais do Ciudadanos um acordo para obter seu apoio e se manter no comando do Executivo.

Fontes do partido informaram que o Comitê Executivo do PP deu permissão a Rajoy para que inicie uma negociação com o Ciudadanos sobre as seis condições exigidas por esta legenda, entre as quais figura que nenhum ocupante de cargo público que responda a acusações na Justiça assuma postos no Executivo ou no parlamento, assim como uma nova Lei Eleitoral que atribua cadeiras de modo mais proporcional e o fim dos indultos por corrupção política.

Além disso, o Ciudadanos quer limitar os mandatos a oito anos, quer a criação de uma comissão de investigação sobre o suposto financiamento irregular do PP e permitir que os funcionários públicos acusados sejam julgados pelos tribunais ordinários.

As eleições do dia 26 de junho foram vencidas pelo PP, com 137 cadeiras, na frente dos socialistas (PSOE) com 85; da coalizão de esquerda Unidos Podemos, com 71, e dos liberais do Ciudadanos com 32.

Para ser manter no comando do governo, Rajoy necessita de 176 cadeiras que são a maioria absoluta e seu eventual acordo com o Ciudadanos o deixaria com 169. Além disso, o presidente do governo interino poderia somar mais uma cadeira, dos nacionalistas das Ilhas Canárias, o que deixaria a coalizão com 170.

Só em uma segunda votação de posse no Congresso Rajoy poderia ser reeleito se tiver mais votos a favor do que contra. Para isso, necessita ampliar seu apoio ou conseguir a abstenção de pelo menos 11 deputados de outros grupos.

Rajoy transferiu hoje em seu pronunciamento toda a pressão para os socialistas do PSOE, aos quais pediu que não prolongassem o "disparate" que representa a falta de governo e que facilitassem a formação do Executivo com a abstenção.

"O PSOE parece que prefere repetir as eleições, o que não me agrada, por isso procede que eu tenha, se tudo der certo, uma conversa com (o secretário-geral do PSOE) Pedro Sánchez", destacou hoje Rajoy, que também advertiu que a "responsabilidade de superar a posse não corresponde apenas ao PP, mas também aos outros partidos da Câmara".

Com uma linguagem vaga e ambígua, Rajoy se recusou a fixar uma data de posse, apesar de isso estar entre as condições feitas pelo Ciudadanos para negociar.

O líder do PP prometeu aos espanhóis "lutar até o final" para que as eleições não necessitem de uma repetição e para que "a política espanhola recupere sua maturidade".

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