Serra afirma que atraso em revogatório na Venezuela será "farsa completa"

Brasília, 17 ago (EFE).- O ministro das Relações Exteriores, José Serra, disse nesta quarta-feira que, se o referendo que pode revogar o mandato do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, não for realizado este ano, "será uma farsa completa".

Serra recebeu hoje o deputado venezuelano Luis Florido, presidente da Comissão de Política Externa da Assembleia Nacional desse país, e manifestou o "pleno respaldo" do governo do presidente interino, Michel Temer, ao referendo que pode "pôr fim" ao que qualificou de "regime autoritário".

O chanceler ressaltou que o referendo "está previsto" na Constituição venezuelana, mas sustentou que o governo de Maduro "o quer esticar para, em caso de derrota, deixar o vice-presidente" no cargo e impedir novas eleições.

Segundo a Constituição venezuelana, a realização do referendo pode ser solicitada quando se completa metade do mandato, o que no caso de Maduro ocorreu este ano.

Se o revogatório for realizado - e aprovado - neste mesmo ano, devem ser convocadas novas eleições, mas se for postergado para o quarto ano do mandato, este será completado pelo vice-presidente, que no caso da Venezuela não é eleito, mas designado pelo governante.

A oposição venezuelana já iniciou o mecanismo, mas sustenta que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) retarda o processo, a fim de favorecer a permanência do chavismo no poder.

Florido, por sua vez, pediu apoiou do Brasil "e toda a comunidade internacional" a uma grande manifestação que a oposição prepara para o dia 1º de setembro para exigir mais rapidez ao CNE.

Em resposta, Serra instou que "todos os governos do mundo peçam que aconteça este ano" a fim de que a Venezuela "possa deixar para trás esta fase autoritária".

Nesse sentido, o chanceler anunciou que, se assim for, o Brasil está disposto a oferecer "toda sua ajuda", para colaborar no que qualificou como "reconstrução" de um "país amigo".

Florido também expôs a "crítica situação" de seu país em relação ao "total desabastecimento" de produtos básicos e, sobretudo , de remédios, e lamentou que o governo de Maduro não aceite a doação que o Brasil ofereceu de remédios.

"Lamentamos que o presidente Maduro não avalie essa oferta", que o próprio Serra renovou hoje para ajudar a atenuar o que considerou um "desabastecimento cruel" de remédios.

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