Serra considera "superada" polêmica com Uruguai por presidência do Mercosul

Brasília, 17 ago (EFE).- O ministro das Relações Exteriores, José Serra, disse nesta quarta-feira que recebeu uma ligação do chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, e resolveu a polêmica surgida por declarações nas quais este sugeria que o Brasil tinha pressionado o Uruguai para que não aceite a Venezuela na presidência do Mercosul.

"Recebi uma ligação do chanceler Nin Novoa, que explicou que tudo foi um mal-entendido e o assunto está superado", disse Serra a jornalistas ao lado do deputado venezuelano Luis Florido, presidente da Comissão de Política Externa da Assembleia Nacional desse país, a quem recebeu hoje em Brasília.

A polêmica surgiu depois que o jornal uruguaio "El País" publicou declarações que Nin Novoa fez perante a Comissão de Assuntos Internacionais da Câmara dos Deputados do Uruguai, nas quais insinuou que o Brasil pressionava para que não se entregasse a presidência do Mercosul à Venezuela.

"Não nos agradou a postura do chanceler Serra, que veio ao Uruguai para nos dizer - e disse em público, é por isso que lhes digo - que vinha com a pretensão de suspender a transferência (da presidência do Mercosul para a Venezuela) e que, além disso, se esta fosse suspensa, (o Brasil) nos levaria em suas negociações com outros países, como se quisessem comprar o voto do Uruguai", disse Nin Novoa, segundo o "El País".

O Itamaraty convocou então o embaixador uruguaio em Brasília, Carlos Daniel Amorín-Tenconi, para manifestar seu "descontentamento" com essas declarações.

Em nota oficial, o Itamaraty afirmou que, na sua visita ao Uruguai em 5 de julho, Serra abordou o "potencial de aprofundamento" das relações entre Brasil e Uruguai e "as oportunidades que os dois países podem e devem explorar conjuntamente com terceiros mercados".

Além disso, destacou que o motivo principal da viagem foi a busca de uma solução sobre a presidência temporária do Mercosul.

O governo do presidente interino Michel Temer lidera os movimentos para impedir que a Venezuela assuma a presidência do Mercosul, que até agora estava com o Uruguai e que corresponderia, por ordem alfabética, ao governo de Nicolás Maduro, que contava com a aprovação da presidente afastada Dilma Rousseff.

Os governos brasileiro, paraguaio e argentino pediram uma revisão das cláusulas e protocolos do Mercosul para evitar que a Venezuela assuma a presidência do bloco.

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