Diplomata norte-coreano que desertou estava frustrado com regime, diz Seul

Seul, 18 ago (EFE).- O diplomata norte-coreano em Londres que fugiu para a Coreia do Sul em uma das deserções de mais alto nível em anos tomou essa atitude por insatisfação com o regime de Kim Jong-un e para garantir um futuro melhor a seus filhos, afirmou nesta quinta-feira o governo sul-coreano.

Thae Yong-ho, que era o número dois da legação da Coreia do Norte na capital britânica, "explicou que se sentia infeliz com o regime de Kim Jong-un" quando foi interrogado sobre as razões de sua deserção, indicou à Agência Efe uma representante do Ministério da Unificação de Seul.

O diplomata de 55 anos, cuja função era promover a imagem de seu país no Reino Unido, também apontou como motivos "o futuro de seus descendentes" e "a admiração pelo sistema democrático da Coreia do Sul", segundo a funcionária.

Seul confirmou na quarta-feira a deserção de Thae, que já se encontra na Coreia do Sul após escapar de Londres com sua mulher e seus filhos em uma data recente que não especificou.

O Ministério da Unificação sul-coreano também avaliou hoje que se trata do diplomata do mais alto nível que fugiu à Coreia do Sul nos últimos anos, e uma das deserções mais importantes até o momento.

Além disso, seu testemunho, segundo fontes consultadas pela Efe, poderia fornecer ao governo sul-coreano valiosa informação sobre o blindado regime de Kim Jong-un.

Seul não ofereceu por enquanto mais dados sobre o diplomata, enquanto a agência local "Yonhap" assegurou que poderia pertencer a uma privilegiada família da elite de Pyongyang.

Thae Yong-ho seria o filho do falecido general de quatro estrelas Thae Pyong-ryul, companheiro de armas de Kim Il-sung -fundador do país e avô do atual líder-, enquanto sua esposa O Hye-son seria filha de outro importante guerrilheiro cujos descendentes passaram a fazer parte das altas esferas do regime dos Kim.

Por outro lado, o Ministério da Unificação sul-coreano avaliou que a deserção do diplomata reflete a "desilusão geral da elite" com o governo de Kim Jong-un e o "enfraquecimento da solidariedade interna" no Estado comunista.

Não se espera, em todo caso, que a fuga de Thae vá gerar um forte impacto em Pyongyang, como ocorreu em 1997 com a de Hwang Jang-yop, o desertor norte-coreano de mais alta categoria na história ao ter sido presidente da Assembleia Popular Suprema e um dos artífices do ideário Juche (autosufuciência).

Especialistas destacaram que, devido à repressão do jovem ditador e as sanções internacionais, recentemente aumentaram as deserções de cidadãos de status médio e alto na sociedade norte-coreana, muitos dos quais buscam refúgio em países europeus ou nos Estados Unidos.

Mesmo assim, a maioria dos desertores seguem sendo gente com baixos recursos que passa dificuldades e buscam uma vida melhor na vizinha Coreia do Sul, onde conhecem o idioma e recebem ajuda do governo.

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