Tribunal marroquino veta mulheres em leitura de sentenças por sua emotividade

Rabat, 19 ago (EFE).- Uma ONG do Marrocos denunciou nesta sexta-feira que dois tribunais em Tetouan, no norte do país, proibiram as mulheres de entrar nas salas de audiência durante a leitura das sentenças por temor em relação a "maior emotividade" que elas supostamente apresentariam.

O Observatório do Norte de Direitos Humanos lamentou, por meio de um comunicado, que os tribunais de Primeira Instância e de Apelação impeçam às mulheres de entrar nas audiências e ouvir os veredictos relacionados aos casos de seus familiares pelo temor de reações emotivas.

"Esta decisão representa uma discriminação de gênero que considera a mulher como alguém incapaz de escutar os veredictos (...) porque recorre ao pranto e aos gritos para expressar sua rejeição, o que a transforma em um ser inferior ao homem", criticou a ONG.

O presidente do Observatório, Mohammed Benaisa, explicou à Agência Efe que esta decisão vem sendo aplicada como uma regra não escrita por todos os juízes alocados em ambos os tribunais.

Ele acrescentou que diante desta situação, as mulheres esperam com frequência na porta das duas cortes até que um homem venha informá-las sobre as sentenças.

As salas dos tribunais marroquinos em geral têm assentos separados para homens e mulheres.

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