Trump corre contra o relógio para alcançar Hillary nas pesquisas

Pedro Alonso

Washington, 20 ago (EFE).- Após cair nas pesquisas das últimas semanas, o candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, enfrenta uma corrida contra o relógio para fazer sua campanhar fluir e tentar vencer sua rival democrata, Hillary Clinton.

Muitos observadores políticos concordam que o tempo pressiona o polêmico magnata imobiliário porque, embora as eleições presidenciais sejam em 8 de novembro, vários estados-chave permitem votação já em setembro.

"Seu caminho rumo à vitória era estreito, e está se estreitando cada dia mais", advertiu nesta semana o estrategista republicano Matt Mackowiak.

Trump deixou atônito o mundo ao alcançar, sem experiência prévia em política, a candidatura de seu partido à presidência na convenção Nacional Republicana de julho, mas sua campanha, desde então, vive uma situação de crise quase permanente.

Uma série de polêmicas de manufatura própria, como seu famoso ataque aos pais de um soldado muçulmano americano morto no Iraque e a incapacidade de seus assessores para que adote um estilo mais "presidencial" o colocaram em um beco de difícil saída.

Atrás nas pesquisas, que Hillary domina em nível nacional -com uma vantagem média de seis pontos- e mirando estados "indecisos" cruciais para o pleito, Trump remodelou na quarta-feira passada a cúpula de sua equipe de campanha para tentar endireitar o rumo.

E na sexta-feira foi seu chefe de campanha, Paul Manafort, que deixou a equipe para completar a recomposição da mesma rumo à reta final da campanha.

No entanto, uma olhada ao calendário evidencia que o empresário nova-iorquino é obrigado a arrumar em breve uma solução (se é que há), dado que a votação, na realidade, começa em questão de semanas.

Segundo a Conferência Nacional de Legislaturas Estaduais (NCSL), um total de 37 estados e o Distrito de Columbia (sede da capital dos EUA) permitem votar, seja por correio ou em colégios eleitorais, antes de 8 de novembro.

A Carolina do Norte, um estado que os democratas não ganham desde 1976 (com a exceção de 2008, quando Barack Obama venceu por ajustada margem) mas que Hillary tem no ponto de mira, deixa votar por correio a partir de 9 de setembro.

Outro exemplo é Ohio, um estado-chave, que começará a receber sufrágios de eleitores membros das Forças Armadas e cidadãos ausentes do país a partir de 24 de setembro, um vez que o voto presencial começará em 12 de outubro.

O voto por antecipado se transformou nos últimos anos em um fator cada vez mais determinante nas eleições presidenciais.

Em 2012, cerca de 32% dos eleitores exerceram seu direito ao sufrágio antes da jornada eleitoral, em comparação com os 29,7% de 2008 e os 20% de 2004, segundo dados do Censo.

Hillary, que conta em sua equipe com antigos colaboradores das campanhas do presidente Obama, usou a fundo em estados de voto "madrugador" com a milionária emissão de anúncios de televisão eleitorais.

Para surpresa de muitos, Trump descuidou desse terreno e quase não gastou um centavo, apesar de sua campanha começar nesta sexta-feira a emitir propaganda televisiva nos estados cruciais da Flórida, Ohio, Carolina do Norte e Pensilvânia.

"Até 40% dos eleitores votam nos estados madrugadores e não é possível organizar essas transmissões da noite para o dia, ou inclusive em poucas semanas, e ganhar neles", avisou Neil Newhouse, que trabalhou como pesquisador do candidato presidencial republicano Mitt Romney nas eleições de 2012, nas quais Obama venceu.

Apesar do complicado horizonte eleitoral, Trump abriga a esperança de um ressurgimento e continua a sustentar que os eleitores irão em "grande número" às urnas em 8 de novembro, além de culpar a imprensa por sua desvantagem nas pesquisas.

"Se os veículos de imprensa repugnantes me cobrissem honradamente e não dessem um significado falso às palavras que digo, estaria batendo Hillary por 20%" nas pesquisas, disse o magnata recentemente em sua conta no Twitter.

O multimilionário nova-iorquino confia também sua sorte aos três debates presidenciais televisionados entre o empresário dos cassinos e a ex-secretária de Estado, e o primeiro está previsto para 26 de setembro.

"Absolutamente, estarei nos três debates. Tenho muita vontade de debater, mas tenho que ver as condições", afirmou Trump na semana passada.

Uma boa atuação em um debate emitido em horário de máxima audiência, visto por dezenas de milhões de americanos, pode inclinar o voto por antecipado em favor do candidato percebido como ganhador na acareação.

Essa circunstância ajudou Romney em 2012, quando bateu Obama no primeiro debate presidencial, embora o atual líder ganhou fôlego no segundo debate e obteve um impulso que, mais tarde, o levo à vitória naquele pleito.

Seja como for, o ritmo imparável das agulhas do relógio vai minguando as opções de Trump, quem ainda acredita cegamente no triunfo, embora no último dia 11 admitiu, em uma incomum ameaça de humildade, que pode perder as eleições.

"Acho -vaticinou- que vamos conseguir a vitória, mas já veremos. No final, ou vou conseguir vencer ou se perder, tirarei umas boas e longas férias".

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