Espanha enfrenta nova rodada de negociações com medo de repetição eleitoral

Madri, 21 ago (EFE).- O conservador Partido Popular (PP) retoma na segunda-feira as conversas com os liberais dos Ciudadanos para formar governo na Espanha, em um cenário marcado pelo medo da necessidade de uma repetição eleitoral e uma estratégia de pressão de ambas as formações para que os socialistas deem o apoio que ainda falta.

Conservadores e liberais tem pouco mais de uma semana para assinar um acordo de posse, antes que em 30 de agosto comece o debate parlamentar no qual o chefe do Executivo espanhol interino, Mariano Rajoy, tentará renovar seu mandato e formar governo.

Após a primeira reunião realizada na sexta-feira, PP e Ciudadanos continuam nestes dias os contatos informais e a troca de documentação pensando na segunda reunião de amanhã, que se centrará em economia e emprego.

Enquanto os representantes de ambos partidos negociam, os comparecimentos de seus dirigentes se centram em deslocar a pressão sobre o socialistas PSOE -líder da oposição-, ao qual exigem o apoio parlamentar necessário que é preciso para que Rajoy supere sua posse.

A repetição eleitoral de 26 de junho teve como ganhador o PP, com 137 deputados, seguido dos socialistas (85), a coalizão Unidos Podemos (esquerda) com 71, os Ciudadanos com 32, e o resto de cadeiras distribuídas entre formações nacionalistas bascas, catalãs e canárias.

Para ser investido, Rajoy requer, em uma primeira votação e em uma câmara formada por 350 deputados, maioria absoluta (176 votos a favor), enquanto em uma segunda só necessita de mais'sims' do que nãos.

Se os populares alcançarem um acordo após as negociações desta semana -algo bastante previsível-, somarão 169 votos a favor. Ainda faltariam sete votos na primeira votação, mas seriam suficientes em segunda rodada se alguma outra formação se abster.

O presidente do Governo interino, Mariano Rajoy, pediu no sábado aos socialistas "bom senso" porque a Espanha "não aguenta mais" a falta de Executivo, que qualificou como "uma situação absurda".

Hoje, o líder do PP basco Alfonso Alonso criticou em entrevista à Agência Efe "a falta de responsabilidade" do partido líder da oposição e pediu seu apoio, já que segundo sua opinião sua posição "vai além da falta de responsabilidade" e é "uma falta de respeito com a Espanha", argumentou.

Um alto dirigente dos Ciudadanos, Carlos Carrizosa, se dirigiu também neste domingo ao líder socialista, Pedro Sánchez, para pedir que faça "um sacrifício" e, embora não goste de Rajoy, facilite sua posse e vote "com o nariz tapado".

O líder socialista não aceitou, nos oito meses que dura o bloqueio político, a opção de que seus deputados se abstenham para facilitar um Executivo com selo conservador, porque segundo sua opinião eles não seriam cúmplices da "desigualdade" que gerou o governo de Rajoy e seu eleitorado não entenderia.

O PSOE (com 85 cadeiras) pede que os conservadores busquem apoio entre as forças conservadoras da câmara, os nacionalistas conservadores bascos e catalães, que entre ambos somam 13 cadeiras.

Mas o desafio defensor da soberania dos nacionalistas catalães em seu parlamento regional e a proximidade do pleito regional basco faz faz com que essa via seja bastante improvável essa via.

Com este cenário, a formação de um novo governo parece menos provável do que uma terceira convocação eleitoral. A Espanha continuar sem governo, seguindo a esteira de países como a Bélgica, que permaneceu 541 dias sem Executivo pela falta de acordo entre suas principais forças políticas.

A nova reunião eleitoral seria, segundo marca a lei, em 25 de dezembro, Natal, data após a qual as formações deveriam iniciar um novo processo de negociação.

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