Inconsistência de Trump amplia chances de vitória de Hillary Clinton

Jairo Mejía

Washington, 21 ago (EFE).- A crítica ao candidato republicano Donald Trump por não "seguir o roteiro" de campanha poderia estar minando não só apoio em Estados-chave, mas em alguns tradicionalmente republicanos, ampliando o campo de batalha da Hillary Clinton, que está consolidando suas chances de vitória.

"Trump não tem uma campanha caótica, não tem uma campanha deficiente. Trump não tem nenhuma campanha", disse nesta semana Joe Scarborough, apresentador conservador de um programa do canal de linha progressista "MSNBC".

Trump, o inimigo da política tradicional que se transformou no líder do partido mais tradicional dos Estados Unidos, está começando a adotar posturas quixotescas na elaboração de sua campanha.

O candidato republicano propôs ao Comitê Nacional Republicano abrir escritórios estaduais de campanha nos 50 Estados do país, algo descabido, levando em conta que devem ser centrados recursos nos Estados que podem inclinar a balança a seu favor, como a Flórida, onde o magnata só agora começou a habilitar vários centros de operações.

As pesquisas seguem refletindo um aumento da vantagem de Hillary em estados-chave como Pensilvânia, Michigan, Ohio e Flórida, e para Trump a cada semana que passa sem propor medidas que não sejam qualificadas de absurdas, como a ideia de impor um exame ideológico a imigrantes, são tempo perdido.

Além disso, sua resistência a "seguir o roteiro", como reprovam seus poucos aliados no Partido Republicano, desviam a atenção e impossibilitam focar na apuração do histórico de Hillary, como o caso dos conflitos de interesse quando era secretária de Estado (2009-2013).

A indisciplina de Trump, parte de seu atrativo durante o processo das eleições primárias de seu partido, o levou na quarta-feira, faltando menos de três meses para as eleições e um mês antes do início do voto antecipado em alguns Estados, a mudar pela segunda vez a cúpula no comando da campanha.

A chefe de campanha será Kellyanne Conway, uma estrategista republicana, e o polêmico presidente do "Breibart News" (um portal de notícias ultraconservador e crítico das elites republicanas), Stephen Bannon, diretor-executivo da campanha.

A escolha de Bannon constitui um desprezo para o aparelho do Partido Republicano e, como asseguraram nesta quarta-feira fontes da formação à publicação "Politico", é "alguém que vai pisar no acelerador" encorajando o lado mais populista e anti-imigrante de Trump.

A recomposição da equipe de campanha terminou na sexta-feira, com a demissão de seu chefe, Paul Manafort, dias após ser divulgado que recebeu durante seis anos quase US$ 13 milhões procedentes de um partido pró-Rússia na Ucrânia.

Seguir apelando às mesmas bases que Trump cortejou nas primárias poderia entregar a Hillary, também uma candidata com altos índices de impopularidade, uma vitória presidencial com uma histórica margem e possivelmente o controle, até agora republicano, do Senado.

Uma amostra do otimismo democrata é a decisão nesta semana do "Priorities USA", um comitê de ação política independente com US$ 100 milhões, de suspender a compra de anúncios de televisão nos estados-chave do Colorado, Pensilvânia e Virgínia.

Justin Barasky, um porta-voz da "Priorities USA", explicou nesta semana à emissora "CNN" que estão examinando campanhas nos Estados do Arizona, Geórgia e "outros", algo que mostra como a maquinaria democrata está já buscando vitórias presidenciais ou legislativas em campos de batalhas normalmente esquecidos, ao não ter reflexos de mudança de sinal político.

Mas no ano de Trump, a disputa está mais aberta do que nunca: Hillary chegou a fazer campanha em Nebraska, um Estado fortemente republicano, e a escrever uma coluna de opinião em um jornal de Utah para pedir o voto mórmon, fiel aos conservadores.

"Estamos vendo que esta campanha está se assentando em uma alta probabilidade de vitória de Hillary Cliton sobre Donald Trump, embora o tamanho da margem siga no ar", explicava nesta semana Charlie Cook, um prestigiado analista político.

Segundo Cook, Trump ainda poderia ganhar em todos os Estados onde a distância com Hillary está dentro da margem de erro e mesmo assim a candidata democrata se proclamaria presidente dos Estados Unidos.

Além disso, 60 anos de história política moderna no país americano indicam que quem chega a este ponto da campanha na liderança, normalmente ocupa a Casa Branca.

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