Moradores do departamento mais pobre da Colômbia anunciam "passeata gigante"

Bogotá, 21 ago (EFE).- Os líderes da paralisação cívica do departamento (estado) de Chocó, localizado na fronteira com o Panamá, garantiram neste domingo que manterão o protesto por tempo indefinido e anunciaram para amanhã "uma passeata gigantesca" para exigir do governo melhorias em temas como educação, saúde, transporte e outros serviços públicos.

"A greve é uma demonstração de insatisfação e assim se manterá até que haja um acordo com o governo do presidente Juan Manuel Santos", disse à Agência Efe por telefone o secretário-executivo do Comitê Cívico Departamental pela Salvação e Dignidade do Chocó, Dilón Martínez.

Segundo ele, como existe "displicência" do governo, "amanhã haverá uma grande marcha" para que "levem a sério o tema". Com o protesto, que começou na quarta-feira passada, a população do departamento mais pobre dos 32 que formam a Colômbia reivindica investimentos em educação, saúde, infraestrutura, serviços básicos, projetos que ofereçam empregos e rotas de ligação entre o departamento (banhado pelos Oceanos Atlântico e Pacífico) e interior do país por terra e água.

"Até o momento, não aconteceram progressos nos pedidos com dez pontos que apresentamos ao governo e por isso a greve continuará de forma indefinida", ressaltou Martínez.

O secretário-executivo do grupo também explicou que na segunda-feira "em todos os municípios do departamento" serão feitas manifestações para que "o governo veja que o protesto não é apenas de alguns, mas de todo o departamento".

Em 20 de julho, cerca de 40 mil chocoanos não comemoraram o Dia da Independência em protesto pelo abandono.

"O governo não nos levou a sério e agora o problema cresceu e a greve pode prolongar-se no tempo", adiantou.

Segundo Martínez, a população passou as últimas horas fazendo compras de comida e os comerciantes anunciaram que em breve fecharão as lojas, enquanto os postos de combustível estão sem clientes e à espera do que acontecerá com o protesto.

Enquanto isso em Bogotá, o prefeito da cidade de Quidbó, Isaias Chalá, e o governador de Chocó, Carlos Palacios, se reuniram com o ministro do Interior encarregado, Guillermo Rivera, para debater soluções aos pedidos da população. Rivera lembrou que desde 15 de julho uma delegação do governo tem presença permanente no local e está dialogando com os coordenadores dos grupos.

"É fato que existe uma extensa dívida social do Estado com o departamento, acumulada durante décadas, mas este governo pôs a cota inicial para pagá-la", admitiu o secretário-geral da presidência, Luis Guillermo Vélez.

O departamento de Chocó, no noroeste da Colômbia e cercado por florestas e rios, se tornou, por conta do abandono do Estado, celeiro de corrupção, insegurança, mineração ilegal, tráfico de drogas, deslocamentos forçados e com a presença de guerrilhas.

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