Governo e comunistas filipinos abrem mesa de diálogo em Oslo

Copenhague, 22 ago (EFE).- O governo filipino e a Frente Democrática Nacional das Filipinas (NDFP), que representa a rebelião comunista, instauraram nesta segunda-feira a mesa de diálogo pela paz em um ato realizado em um hotel nos arredores de Oslo.

O ministro das Relações Exteriores norueguês, Børge Brende, ressaltou na abertura que trata-se de um dia "histórico" e avisou que os próximos cinco dias de negociações serão "muito pesados", além de destacar a "grande responsabilidade" deste país nórdico, que exerce o papel de mediador em um conflito de quase meio século de história.

"Ambas as partes mostraram um forte desejo de alcançar uma solução para um conflito de longa duração e chegaram longe para que estas conversas ocorressem. Por isso é muito positivo que as negociações formais tenham sido retomadas", ressaltou Brende.

O governo e os rebeldes declararam há dois dias um cessar-fogo para impulsionar o processo de paz, no qual intervirão várias figuras comunistas libertadas de forma temporária para poder negociar em Oslo, entre eles Benito e Wilma Tiamzon, líderes do proscrito Partido Comunista (CPJ), integrado por sua vez na Frente Democrática Nacional das Filipinas (NDFP).

Brende lembrou no entanto às duas partes que deverão negociar "grandes e complicadas questões" e ressaltou a importância de não ter "expectativas exageradas" perante a possibilidade de alcançar uma solução final pacífica.

As conversas iniciadas hoje implicam retomar um processo estagnado desde a ruptura das anteriores negociações em 2013, causada entre outros motivos pela negativa do então presidente filipino, Benigno Aquino (2010-16), a libertar a negociadores comunistas.

Desde que Rodrigo Duterte ganhou as eleições presidenciais filipinas em maio, o Executivo e a rebelião comunista aproximaram posturas e intercambiaram gestos de boa vontade.

O programa de negociação estipulado para Oslo inclui a declaração de um cessar-fogo permanente, uma anistia para os presos comunistas e a instauração de mecanismos que garantam o fim do conflito armado.

O CPJ foi criado em 1968 como uma organização política clandestina com o alvo principal de derrubar o governo.

O Novo Exército do Povo (NPA) é seu braço armado, conta com cerca de 6 mil combatentes regulares e está há 45 anos em rebelião em um conflito que já tirou a vida de cerca de 30 mil pessoas.

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