Governo indiano pede solução constitucional permanente à crise na Caxemira

Nova Délhi, 22 ago (EFE).- O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, pediu nesta segunda-feira em reunião com representantes de partidos da oposição da Caxemira indiana "uma solução permanente (...) no marco da Constituição" à crise da região, imersa há 45 dias em uma situação de violência, com cerca de 70 mortos.

"Necessitamos encontrar uma solução permanente e duradoura ao problema no marco da Constituição", declarou Modi aos 20 políticos caxemirianos com os quais manteve um encontro em Nova Délhi, segundo um comunicado do escritório do primeiro-ministro.

Modi destacou, além disso, que essa solução à crise vivida na região só chegará através do "diálogo" e do "trabalho conjunto de todos os partidos políticos" e teve palavras de solidariedade rumo aos mortos durante o atual surto de violência.

"Aqueles que perderam suas vidas durante os recentes distúrbios são parte de nós, de nossa nação", ressaltou o primeiro-ministro da Índia.

A Caxemira está imersa em uma crise com protestos e violência desde que em 8 de julho morreu o insurgente Burhan Wani, o que levou a um toque de recolher quase permanente e uma repressão militar e policial com um balanço de 66 mortos e mais de 5 mil feridos nesse território, que é reivindicado também pelo Paquistão.

O líder opositor caxemiriano e antigo chefe do governo desse território, Omar Abdullah, recebeu com satisfação as palavras de Modi.

"Damos as boas-vindas às declarações do honorável primeiro-ministro Narendra Modi e estamos desejando trabalhar de maneira conjunta para encontrar uma solução final aos problemas de Jammu e Caxemira", afirmou Abdullah em sua conta oficial de Twitter.

Os representantes opositores tinham mantido uma reunião no sábado com o presidente indiano, Pranab Mukherjee, após a qual Abdullah remarcou a necessidade de buscar uma solução "política" ao problema, ao invés de conduzí-lo "administrativamente".

Em um memorando conjunto dos partidos opositores apresentado hoje a Modi, estes insistiram na necessidade de início de um "diálogo crível e significativo" com todas as partes envolvidas para "fazer frente à crise" na região.

"Esperamos que tomem medidas imediatas para fazer frente à grave situação", sentenciaram no comunicado conjunto os membros dos partidos opositores, segundo a transcrição completa do memorando que foi publicada pelo jornal local "Greater Kashmir".

No texto, os partidos opositores pediram, além disso, o fim do "excessiva uso da força" por parte das forças de segurança indianas durante as manifestações, e concretamente a "proibição imediata dos rifles de balas de chumbo" que usam os agentes antidistúrbios.

A ação das Forças Armadas, que, segundo informaram na semana passada, utilizaram 1,3 milhão de balas de chumbo para reprimir os protestos desde seu início, foi duramente criticada e inclusive reconhecida pelas próprias autoridades e a Suprema Corte, que ordenou investigações sobre algumas das mortes.

A Caxemira indiana é um dos territórios mais militarizados do mundo desde a partilha do subcontinente em 1947 e é alvo de disputa entre a Índia e Paquistão, que livraram duas guerras e números conflitos bélicos menores por seu controle.

Essa região, governada pelo BJP de Modi e o Partido Democrático Popular, é a única de maioria muçulmana na Índia.

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