Tradicionais bairros de Lisboa serão ligados por elevador em plano inclinado

Tânia Esteves.

Lisboa, 23 ago (EFE).- Próximos geograficamente, mas afastados por costões íngremes e outros obstáculos, os bairros lisboetas de Graça e Mouraria, dois dos mais tradicionais da capital portuguesa, ficarão unidos por um elevador em plano inclinado que, além de tudo, garantirá um impulso turístico para a região.

O projeto, que está em construção e cuja finalização está prevista para janeiro de 2018, unirá o miradouro Sophia de Mello Breyner, situado na Graça e com uma vista privilegiada da cidade, com a Rua dos Lagares, em plena Mouraria.

O elevador vai passar ao lado do Jardim da Cerca, preso à escada em espiral da Graça, mas o projeto pretende manter a vista oferecida pelo mirante, segundo explicou à Agência Efe a EMEL, empresa responsável pelos projetos de mobilidade de Lisboa.

"O mirante tem várias intervenções, a saída do elevador é subterrânea, tem escadas no interior do solo, como se fosse um metrô, mas em versão menor. É uma intervenção harmoniosa, funciona como se fosse um poço", comentou Helena Carvalho, da EMEL.

Ambos os bairros estão separados por desníveis no terreno e uma grande escadaria, o que dificulta a circulação e o uso da área por residentes e visitantes, por isso foi necessário repensar a acessibilidade entre a parte baixa da cidade e as colinas do Castelo e da Graça.

O elevador vai permitir, além disso, a integração da Alta Mouraria nos circuitos de visita da cidade e rentabilizar os investimentos realizados durante os últimos anos, com a colina do Castelo como uma das principais referências da cidade lisboeta por seu valor histórico, cultural e urbano.

Os bairros de Graça e Mouraria são dois dos mais antigos da capital portuguesa.

Após a conquista de Lisboa, em 1147, os mouros se instalaram no bairro de Mouraria até serem expulsos junto dos judeus 350 anos depois.

Hoje já não existem muitos vestígios desse tempo, mas curiosamente é o bairro mais multicultural de Lisboa que, apesar da população estrangeira, é tipicamente lisboeta, conhecido como o berço do fado.

Já o bairro da Graça, situado na colina mais alta da capital lusa, foi construído sobre um campo de oliveiras e acabou convertendo-se em uma região operária após a revolução industrial.

A Graça viu aumentar seu número de habitantes após o terremoto de 1755, que arrasou toda a parte baixa de Lisboa - reconstruída posteriormente e hoje conhecida como Baixa Pombalina - e causou cerca de 90.000 mortes.

Na atualidade, é um dos pontos incluídos em todas as rotas turísticas de Lisboa devido a seu mirante e à proximidade com o bairro de Alfama, onde se encontra o Castelo de São Jorge.

Estas duas áreas não são as únicas que passarão por intervenções visando melhorar a acessibilidade e integração. Até janeiro de 2017 serão realizadas as obras que conectarão Martim Moniz com o Castelo, que estará coberta parcialmente com uma escada rolante dividida em três trechos.

O programa inclui também a instalação de um elevador, com capacidade para 13 pessoas, entre o Campo das Cebolas e o Largo da Sé, onde está a catedral, que deve começar em setembro com previsão de conclusão no prazo de um ano.

Apesar das previsões do fim das obras, "todas elas dependem do que se encontre arqueologicamente, já que estamos falando de áreas históricas", ressaltou Carvalho.

Estas intervenções, previstas no Plano de Acessibilidade de 2009, têm o objetivo de "atenuar as barreiras impostas pela topografia do terreno e pelas características do tecido urbano desta área histórica e que constituem fatores de exclusão social e de isolamento territorial", explicou a prefeitura da capital.

A cidade de Lisboa, que está construída sobre sete colinas, já conta com vários elevadores para facilitar a integração entre bairros, como os da Glória, da Bica, do Lavra e de Santa Justa.

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