EUA pedem que milícias curdas se retirem da margem oeste do rio Eufrates

Istambul, 24 ago (EFE).- O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu nesta quarta-feira à milícia curda na Síria que se mova em direção à margem leste do rio Eufrates, caso contrário, perderá o apoio de seu país.

Em entrevista coletiva em Ancara, a capital da Turquia, Biden disse que as forças curdas "devem ir para o outro lado do rio Eufrates", uma declaração que vai ao encontro das insistentes reivindicações do governo turco.

Uma coalizão multiétnica liderada pela milícia curda Unidades de Proteção do Povo (YPG, na sigla em curdo), com apoio aéreo dos EUA, tomou no início deste mês a cidade de Manbech, situada na margem oeste do rio, que estava sob domínio do grupo terrorista Estado Islâmico (EI).

"Em nenhum momento, apoiaremos às forças curdas se elas se mantiverem a oeste do Eufrates", reiterou Biden.

O primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, ressaltou, por sua vez, que Ancara e Washington compartilham a mesma opinião neste ponto.

"Isto está estipulado com os Estados Unidos: o PYD (em referência ao partido político ligado às YPG) não pode estar a oeste do Eufrates. Fomos muito claros nisto", reforçou o líder turco.

Horas antes, os curdos na síria disseram que se recusam a deixar a margem oeste do rio Eufrates como pede a Turquia, que lançou hoje uma ofensiva em território sírio para evitar que as milícias curdas tomem controle de todo o norte do país árabe.

"São zonas curdas, libertadas pelos curdos após sangrentos combates com os terroristas", declarou Abdel Salam Ali, representante do Partido da União Democrática (PYD, sigla em curdo), em Moscou, à agência oficial russa "Ria Novosti".

O porta-voz curdo afirmou que a "Turquia entrou ilegalmente em território sírio e agora quer ditar suas condições", em alusão à ofensiva com tanques, artilharia e bombardeios aéreos lançada pelo governo turco contra a cidade de Yarabulus, que é controlada pelo Estado Islâmico.

Na entrevista coletiva com Biden, o primeiro-ministro turco pediu uma solução diplomática com urgência para o conflito na Síria e antecipou as condições de Ancara para apoiá-la.

"É necessário garantir a unidade territorial da Síria, não pode haver divisões étnicas e não permitiremos, sob nenhuma hipótese, uma entidade curda ao sul de nossa fronteira. Consideraríamos isso uma ameaça a nossa segurança nacional", destacou Yildirim.

A Turquia vê com receio as conquistas territoriais das milícias curdas no norte da Síria - os combatentes mais efetivos contra o EI - e repetiu que não irá tolerar uma "faixa curda" ao longo de toda a fronteira meridional.

Biden se encontra hoje na Turquia em uma tentativa de acalmar as tensas relações entre ambos os países, dois pesos pesados da Otan.

Representantes turcos acusaram nas últimas semanas os Estados Unidos de não terem expressado de forma imediata sua rejeição à tentativa de golpe de Estado de 15 de julho, nem de querer cooperar com a extradição de Fethullah Gülen, o teólogo apontado por Ancara como o cérebro por trás do levante fracassado.

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