França se manifesta na internet em prol de 2 banhistas obrigadas a tirar véu

Paris, 24 ago (EFE).- As redes sociais amanheceram em polvorosa nesta quarta-feira em defesa de duas banhistas que foram obrigadas a tirar a túnica e o lenço que usavam por ordens da Polícia em praias da França.

Jornais britânicos publicaram ontem à noite imagens de uma mulher sendo controlada por quatro policiais municipais na Promenade des Anglais. A primeira imagem mostra à mulher deitada na praia, tomando sol, com um lenço azul claro cobrindo o cabelo e uma túnica de manga longa da mesma cor. Sequência seguinte, ela tira a túnica (por baixo há uma camiseta preta) sob o olhar atento dos agentes, que inspecionam a peça.

O caso chamou bastante atenção, mas não foi o único que gerou burburinho na internet. Ontem também, dessa vez em Cannes, a polícia multou uma mulher, identificada como Siam, uma ex-comissária de bordo de 34 anos, que usava o "hijab" e que hoje declarou à emissora "BFM TV" que vai entrar com medidas legais.

"Não estava usando o burquíni, nem a burca, nem estava nua. Considero que a minha vestimenta era correta", disse ela, que, segundo o jornal "Daily mail", é mãe e tem família na França.

Os dois incidentes geraram uma onda de críticas de internautas denunciando hoje o ocorrido e mostrando indignação, já que o véu não é proibido em espaços públicos.

"Mas isso é normal? Até isso, vão mandar as mulheres tirarem a roupa na praia? Vocês são motivo de piada para o mundo", postou Sihame Assbague (@s_assbague) no Twitter junto com quatro fotos do caso, em uma postagem retuitada mais de 12 mil vezes.

Nice e Cannes fazem parte dos 15 de municípios da Côte D'Azur que desde o início do mês estão proibindo o uso do burquíni nas paias. O traje é uma espécie de burca adaptada para uso no mar ou na piscina e geralmente usado pelas muçulmanas, já que cobre boa parte do corpo e, ao mesmo tempo, é confortável. Apesar de ter sido criado por Aheda Zanetti, uma australiana-libanesa, pensando nas mulheres praticantes do Islã, a proibição fez as vendas dispararem e a maioria dos pedidos vem de não muçulmanas, segundo revelou a estilista a jornais europeus.

À espera de o Conselho de Estado, máxima instância administrativa da França, examinar amanhã a legalidade dos decretos municipais que vetam essa roupa, pelo menos 16 mulheres já foram multadas nessas cidades nas últimas semanas, de acordo com a "BFM TV".

O Conselho do Culto Muçulmano da França pediu hoje uma reunião urgente com o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, para abordar a questão, sobre a qual o Executivo rejeitou, por enquanto, lançar uma legislação específica.

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