Louisville, uma inusitada "Pequena Havana" longe de Miami

Marcela Cortés.

Atlanta (EUA), 31 ago (EFE).- O aroma intenso de café, os sabores da tradicional cozinha caribenha e o ritmo da salsa são cada vez mais comuns na cidade de Louisville, que tem percentualmente a terceira maior comunidade cubana dos Estados Unidos, atrás apenas de Miami e Las Vegas.

Longe dos cerca de 1,2 milhão de cubanos que vivem no sul da Flórida, esta cidade de Kentucky se transformou nos últimos anos em um poderoso imã para estes ilhéus por causa de sua qualidade de vida e pelas oportunidades econômicas que oferece, além de ser acolhedora com os imigrantes.

Em 2014 residiam mais de 7.000 cubanos na área metropolitana de Louisville, o dobro de cinco anos antes, segundo dados do Censo dos EUA, embora moradores da cidade assegurem que esse número já ronde os 14 mil, o que ameaça a hegemonia dos mexicanos como principal minoria da cidade.

Assim, artistas, professores, trabalhadores de saúde, caminhoneiros e proprietários de negócios fazem parte do novo "tecido humano" que forma a comunidade cubana de Louisville, que oferece postos de trabalho melhores remunerados aos recém chegados e um menor custo de vida que em Miami.

Um deles é Fernando Martínez, que chegou de Cuba em uma balsa na década de 1990 e encontrou em Louisville o famoso "sonho americano" que tanto ansiava desde criança em seu país natal.

Após anos trabalhando como jardineiro, açougueiro e outros empregos temporários para poder economizar dinheiro e começar seu próprio negócio, é agora proprietário de sete restaurantes na área de Louisville.

"As oportunidades existem, mas é preciso estar disposto a trabalhar e se sacrificar para alcançar esses sonhos", afirmou Martínez à Agência Efe.

Outro exemplo é Luis Fuentes, um engenheiro ambiental que há sete anos publica o jornal mensal "El Kentubano".

Fuentes comentou que a explicação para esta chegada de cubanos reside no fato de que Louisville é uma cidade que dá as boas-vindas aos imigrantes e lhes oferece a oportunidade de se desenvolver e assimilar a cultura americana.

"Quando eu cheguei aqui, os cubanos não passavam de cem, mas desde que chegamos vimos que havia organizações sem fins lucrativos dispostas a nos ajudar a procurar trabalho e a nos adaptar", disse à Efe esse cubano que vive há 17 anos na região.

E foi precisamente esse sentimento de solidariedade que experimentou ao chegar a Louisville que o levou anos mais tarde a criar seu jornal, cujo objetivo é educar e orientar os imigrantes novos e passou de uma tiragem de mil cópias para mais de 10 mil.

"Eu queria encontrar uma forma de ajudar e educar a comunidade, incluindo a mim mesmo, para saber o que se deve fazer e o que não, ou como abrir uma conta no banco ou contratar um seguro de carro. As coisas que são novas para os cubanos que não conhecem este sistema, além de ajudar a manter nossas raízes", declarou Fuentes.

De acordo com Rhonda Buchanan, diretora do programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Louisville, organizações sem fins lucrativos como a Kentucky Refugee Ministries, que desde outubro ajuda cerca de 800 cubanos a se instalar na região, exercem um papel fundamental no processo de assimilação dos imigrantes.

Emily Brandon, diretora de programas de força de trabalho global da Câmara de Comércio de Louisville, comentou que fatores como o custo de vida, os salários e as oportunidades de negócios comparadas com outras cidades com alta porcentagem de população cubana têm grande impacto no crescimento desta comunidade na região.

"Louisville não tem um mercado tão saturado como outras cidades, como Miami, e oferece uma zona de conforto que permite que se desenvolvam negócios e sigam em frente em melhores condições", explicou Brandon à Efe.

Esta comodidade se traduz em benefícios econômicos para a cidade, pois, segundo dados do Censo, em 2012 os negócios latinos empregaram 1.904 pessoas e geraram US$ 624 milhões em vendas.

"Algo que está acontecendo em Louisville é que muitos dos imigrantes que estão vindo para a região fazem isso não só por melhores oportunidades de emprego, mas também para criar empregos através de seus negócios", comemorou Brandon.

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