Mães de Beslan são detidas por protestarem em aniversário do massacre

Moscou, 1 set (EFE).- Cinco mulheres, mães de crianças sequestradas e assassinadas há 12 anos durante a tomada por terroristas de um colégio na cidade russa de Beslan, foram detidas nesta quinta-feira por protestarem contra o presidente russo, Vladimir Putin, durante a missa pelo aniversário do massacre.

A polícia também deteve dois jornalistas na ocasião, inclusive um repórter do jornal opositor "Novaya Gazeta" que cobria a manifestação.

Logo após o início do ato em memória pelos 318 reféns mortos em 1º de setembro de 2004, entre eles 186 crianças, as cinco mulheres tiraram suas roupas de frio e deixaram à vista camisetas brancas nas quais estava escrita a mensagem "Putin, o carrasco de Beslan".

Os agentes de segurança presentes no ato, celebrado no edifício do colégio, agora abandonado, onde ocorreu a tragédia, bloquearam as mulheres em uma esquina do mesmo ginásio escolar onde seus filhos foram assassinados, após um grupo checheno sequestrar o centro, durante uma polêmica operação de resgate.

Quando as cinco mães saíram do edifício, foram detidas pela polícia com extrema dureza, como demonstram algumas imagens divulgadas por "Novaya Gazeta".

As marcas nos braços de pelo menos duas mulheres, segundo é possível ver nas fotografias, mostram que os agentes utilizaram força desproporcional ao praticar as detenções.

"Não sou uma criminosa para que me tirem em um carro policial do lugar onde morreu toda minha família. Tratar assim as mães cujos filhos morreram no ginásio (do colégio) é mais do cinismo", declarou uma das mães, Emma Betrozova, após a detenção.

Durante a controversa operação das forças especiais russas para resgatar os reféns - sequestrados no primeiro dia letivo no colégio dessa pequena cidade da república da Ossétia do Norte -, Emma perdeu o marido e os dois filhos, de 14 e 16 anos.

Outras duas das detidas, Janna Tsirijova e Svetlana Marguiyeva, foram reféns dos terroristas e viram as filhas morrerem durante a operação policial. Emilia Bazarova perdeu o filho de nove anos, e a última das detidas, Ela Kesáyeva, sofreu o sequestro de sua filha.

As cinco mulheres, da mesma forma que outras muitas vítimas dessa tragédia, responsabilizam Putin por ordenar a operação de resgate apesar de saber que havia muitas chances de isso resultar a morte de centenas de inocentes, como aconteceu.

Antes de serem detidas e condenadas ao pagamento de multas simbólicas de 500 rublos (menos de R$ 40) por "desobedecerem os agentes da lei", as mães exigiram uma investigação do massacre, pois consideram uma farsa os dados levantados até agora.

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