Venezuela rejeita "histérica obsessão" de Almagro em derrubar Maduro

Washington, 1 set (EFE).- A delegação da Venezuela na Organização dos Estados Americanos (OEA) rejeitou nesta quinta-feira o que considera uma "histérica obsessão" do secretário-geral, Luis Almagro, em derrubar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

"Não seria estranho vê-lo como membro da oposição venezuelana a qualquer momento, marchando junto a eles, como parte de sua histérica obsessão com a queda do governo", afirmou o embaixador da Venezuela perante a OEA, Bernardo Álvarez, em carta enviada à imprensa.

Este pronunciamento, o último de uma extensa lista de discordâncias entre o governo de Maduro e Almagro, ocorre após o secretário-geral da OEA voltar a emitir na terça-feira um comunicado duro em relação a Caracas, no qual denunciou a "intensificação da repressão e das violações de direitos humanos" nos dias anteriores à manifestação opositora de hoje na Venezuela.

"Novamente, o senhor Almagro insiste em práticas intervencionistas que o transformaram em um ator político parcial na Venezuela, chegando ao cúmulo de solicitar um estranho papel de observador de uma passeata da oposição venezuelana", comentou Álvarez.

Almagro ofereceu à Venezuela há algumas semanas a opção de enviar uma fórmula de observação da OEA à manifestação opositora, proposta que o chavismo rejeitou como vinha fazendo há uma década, quando parou de permitir a observação eleitoral do organismo.

"Além de tal observação não estar prevista na legislação eleitoral venezuelana, não existe um observador mais perigoso e menos imparcial que o senhor Almagro", frisou o embaixador venezuelano em sua carta, dirigida ao presidente rotativo do Conselho Permanente da OEA, o embaixador das Bahamas, Elliston Rahming.

Álvarez considera que Almagro, que lidera a OEA desde maio de 2015, "se ocupa quase exclusivamente de executar um plano claramente destinado a minar o governo constitucional da Venezuela".

O embaixador também acha "muito suspeito que Almagro responsabilize 'a priori' o governo venezuelano de qualquer ação violenta que aconteça na manifestação convocada pela oposição".

"Este acionamento de Almagro o coloca claramente por trás de qualquer plano violento promovido pelos setores radicais, que ele defende, durante sua própria manifestação", sustentou Álvarez, que terminou sua carta com um: "Basta à campanha de Almagro contra o governo da Venezuela".

Na quarta-feira, o presidente da Bolívia e aliado de Caracas, Evo Morales, enviou outra carta ao presidente do Conselho da OEA, na qual pede "ações e decisões" para que Almagro deixe de "agredir" a Venezuela.

O debate posterior à leitura da carta no Conselho da OEA de ontem só contou com a participação das delegações da Venezuela e da Nicarágua, as outras duas que com a Bolívia chegaram a pedir em junho a renúncia de Almagro na sessão da OEA sobre a Carta Democrática, um processo que poderia ter como última consequência a suspensão da Venezuela do organismo.

Nenhum outro país, nem nações aliadas da Venezuela, como o Equador, tomaram a palavra para se pronunciar sobre este assunto, assim como Almagro.

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