China recebe maiores lideranças mundiais em mau momento interno

Antonio Broto.

Pequim, 2 set (EFE).- A China prepara-se para receber um dos eventos políticos mais internacionais de sua história, a cúpula do G20, em uma conjuntura não exatamente favorável, com fortes dúvidas sobre o futuro de sua economia, crescentes conflitos com seus vizinhos e um aumento da censura e da repressão interna.

A desaceleração de seu crescimento econômico após 30 anos de rápida ascensão, as disputas marítimas com Japão e Filipinas, os atritos com os Estados Unidos pelo escudo antimísseis na Coreia do Sul e outros focos de tensão fecharam a China em si mesma no momento no qual deve receber as maiores lideranças globais.

A potência asiática fará isso nos dias 4 e 5 de setembro em Hangzhou, cidade que na Idade Média simbolizou o encontro entre Oriente e Ocidente, quando foi visitada por Marco Polo e descrita em seu Livro das Maravilhas como "o lugar mais nobre e esplêndido do mundo".

O governo chinês salientou nos dias prévios à cúpula que seu principal objetivo é potencializar reformas e medidas que estimulem o crescimento econômico, que segue sem recuperar-se totalmente da grande crise de 2008, e que afeta o país, sobretudo, pela baixa demanda de suas exportações.

"Devemos promover reformas estruturais e oferecer novas soluções para um crescimento robusto, sustentado e equilibrado", assinalou a respeito o vice-ministro de Finanças, Zhu Huangyao, em uma recente conferência para apresentar as metas da nação anfitriã em Hangzhou.

Pequim insiste que a finalidade da cúpula é econômica e as questões políticas são "distrações", motivo pelo qual tentará que conflitos crescentes como o que sustenta com Vietnã e Filipinas no Mar da China Meridional (no qual os Estados Unidos adotaram um papel de apoio a Manila e Hanói) não se interponham no fórum multilateral.

No entanto, é provável que esse assunto permeie o encontro que provavelmente realizarão à margem da cúpula os presidentes da China, Xi Jinping, e dos EUA, Barack Obama, da mesma forma que a futura instalação do escudo antimísseis THAAD na Coreia do Sul, que também abalou os laços entre Pequim e Seul.

Washington defende que o THAAD será construído em resposta à crescente atividade militar da Coreia do Norte e à retórica cada vez mais agressiva de seu líder, Kim Jong-un, mas a China, junto com a Rússia, o vê como uma ameaça direta a sua segurança militar.

Os problemas econômicos e políticos da China, que afetarão à atmosfera da cúpula, estão causando, segundo organizações de direitos humanos, um notável recuo do regime comunista em matéria de direitos humanos.

"O governo chinês deu passos para aumentar o controle sobre a sociedade civil, impor restrições à liberdade de expressão e encarcerar muitos que se atrevem a expressar críticas ou protestar pacificamente", declarou o analista da Anistia Internacional (AI) para a Ásia, Joshua Rosenzweig.

Centenas de advogados dedicados à defesa de dissidentes e ativistas foram perseguidos durante um ano de campanha para silenciar à sociedade civil, enquanto os veículos de comunicação oficiais chineses assumiram uma linguagem quase bélica, com ranços da retórica da Revolução Cultural.

Um fator desta crescente repressão, segundo apontou à Efe o ativista da AI, "é o medo da agitação social, agora que a economia chinesa se freia e é mais volátil à influência de tendências globais e à inevitável transformação estrutural dentro do país".

Rosenzweig lembrou aos países do G20 que a China e outros países do grupo das maiores economias mundiais devem levar em conta que seus objetivos "devem ser inseparáveis da proteção e do respeito aos direitos humanos".

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