Com Síria na agenda, Putin recupera protagonismo às vésperas da cúpula do G20

Arturo Escarda.

Moscou, 2 set (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, será um dos protagonistas na cúpula do G20 que começa neste fim de semana na China, após conseguir superar o isolamento ao qual foi condenado por intervir na Ucrânia e também por seu papel no conflito na Síria.

Há três anos - quando Ucrânia era ainda um país amigo de Moscou e faltavam poucos meses para a revolução em Kiev - Putin conseguiu, na cúpula realizada em São Petersburgo, status de estadista ao evitar que os Estados Unidos bombardeassem a Síria, algo que era dado como certo.

Naquela edição, quando foi o anfitrião, ele propôs ao presidente americano, Barack Obama, que fossem entregues à comunidade internacional todas as armas químicas do regime sírio de Bashar al Assad, a quem os EUA queriam punir pelo uso desse armamento contra a oposição.

Neste fim de semana, o chefe do Kremlin poderá se sentir novamente em casa graças às excelentes relações que mantém com Pequim, e a Síria voltará a ser o tema central na agenda política da cúpula.

Pouco se sabe de sua agenda de reuniões na cúpula, mas parece mais que provável que, embora não seja anunciado, Putin e Obama falem nos corredores do Centro de Exposições Internacionais de Hangzhou.

Enquanto o quebra-cabeças sírio se torna mais complexo por alguns momentos - agora que as tropas turcas cruzaram a fronteira para fazer frente supostamente ao Estado Islâmico (EI) -, Rússia e Estados Unidos cooperam como nunca, tanto para coordenar suas operações no terreno como para achar uma solução aceitável para todos.

Os países envolvidos no conflito se aglutinam em torno de dois líderes, Rússia e Estados Unidos, que negociam há semanas um cessar-fogo durável no país árabe.

Até agora, as longas reuniões entre o secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov - a última nesta semana, em Genebra - não bastaram para superar as diferenças fundamentais entre os dois países.

Dá a impressão de que Moscou e Damasco não estão dispostos a abrir mão de recuperar o controle de toda Aleppo, uma das maiores cidades sírias e onde acontecem os combates mais duros entre as tropas governamentais, de um lado, e a oposição e grupos jihadistas, de outro.

Washington reconhece que os terroristas da Frente al Nusra combatem junto com a oposição moderada em Aleppo e promete separar seus aliados dos jihadistas, mas, ao mesmo tempo, acusa Damasco de bombardear a população civil e exige o fim destes ataques.

Moscou, por sua vez, defende que a operação militar nessa cidade tem fins humanitários e denuncia que parte da oposição armada respaldada pelos EUA se nega a respeitar o cessar-fogo e prefere lutar com os terroristas.

Um encontro entre Putin e Obama na China, a poucos meses de o presidente americano deixar a Casa Branca, pode dar um novo impulso aos esforços para encaixar o quebra-cabeças sírio.

Destacados analistas russos apontaram que as partes interessadas no conflito - incluindo Rússia, EUA e Turquia - parecem ter aceitado a impossibilidade de conservar a integridade territorial síria sob um mesmo governo e estariam negociando dividir o país em áreas de influência.

"De palavra todos defendem a integridade da Síria. Mas, na realidade, a restituição da Síria em suas fronteiras de faz / há seis anos resulta difícil de imaginar", escreveu esta semana Fiôdor ++Lukiánov++, diretor da revista "Rússia nos assuntos globais".

Outro assunto a tratar no G20 será a crise no leste da Ucrânia, na qual Rússia e seu presidente desempenham um papel-chave apesar da insistência do Kremlin de que o conflito deve ser resolvido entre Kiev e os separatistas pró-Rússia que controlam parte do território.

Moscou anunciou uma reunião dentro da cúpula entre Putin, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, para debater a nova escalada de tensão entre Rússia e Ucrânia, país acusado pelo Kremlin de planejar uma série de atentados terroristas na Crimeia.

A possibilidade de que o encontro aconteça sem o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, gerou tensão em Kiev, e o próprio político advertiu que Putin quer enterrar o processo de Minsk para a paz na Ucrânia ao lhe negar o diálogo.

Segundo Berlim, "o formato da reunião ainda não está fechado", o que deixa aberta a porta para que Poroshenko se junte de última hora à reunião.

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