G20 quer "Plano Hangzhou" para estimular economia mundial

Adrià Calatayud.

Pequim, 2 set (EFE).- Os líderes do G20 buscarão um plano para estimular a economia global e esquecer definitivamente o fantasma da crise financeira na cúpula que vai acontecer na cidade chinesa de Hangzhou nos próximos dias 4 e 5.

O país anfitrião, a China, quer que a economia, mais que os conflitos diplomáticos ou territoriais, domine a agenda da cúpula, e assim o evidenciou no tema do encontro: "Rumo a uma economia mundial inovadora, vigorosa, interconectada e inclusiva".

A possível alta dos juros nos Estados Unidos, os efeitos do "Brexit" e as tensões comerciais entre China e os países ocidentais serão foco de grande parte dos temas econômicos do encontro, que terá a presença dos principais líderes mundiais.

As autoridades do gigante asiático esperam deixar sua marca na maior reunião internacional da história do país com o que pode ser chamado de um "Plano Hangzhou", um conjunto de medidas que dê solução para os maiores desafios econômicos globais.

Os objetivos do Grupo dos 20 já ficaram estabelecidos na cúpula de Brisbane (Austrália) em 2014, quando as principais economias desenvolvidas e emergentes do planeta se propuseram a aumentar em 2% seu crescimento do PIB para 2018.

Essa meta, apresentada com a ideia de deixar para trás a crise de 2008, se viu ameaçada pelo "Brexit", a volatilidade dos mercados financeiros, a queda dos preços das matérias-primas e o arrefecimento econômico da China e outros países emergentes.

Diante deste incerto cenário, o governo chinês planeja pôr sobre a mesa um grande acordo, fruto do trabalho dos encontros preparatórios para a cúpula de Hangzhou.

"Confirmamos nove áreas prioritárias e 48 princípios para reformas estruturais do G20 ao longo das reuniões financeiras deste ano, que serão importantes para conseguir o objetivo do PIB fixado em Brisbane", afirmou na semana passada o ministro das Finanças chinês, Lou Jiwei.

Nas duas reuniões de ministros de Finanças e governadores de bancos centrais do grupo deste ano, em Xangai e Chengdu, o G20 se comprometeu a usar "todas as ferramentas" monetárias, fiscais e estruturais para impulsionar o crescimento mundial.

Os líderes do G20 terão em Hangzhou uma chance de concretizar esse compromisso com medidas para fortalecer o crescimento econômico mundial ante os possíveis impactos do "Brexit" ou a alta de taxas dos juros nos EUA.

O professor da Escola Internacional de Negócios China-Europa (CEIBS) Xu Bin afirmou à Agência Efe que o G20 também pode debater sobre as taxas de câmbio, algo pouco habitual em uma cúpula de chefes de Estado e Governo, devido ao que chamou de "confusão" nos mercados pelo contraste entre as políticas monetárias dos EUA e das de União Europeia e Japão.

Também espera-se que os principais dirigentes do Grupo dos 20 discutam sobre comércio e investimento em um momento de crescente tensão nestes temas e no qual são questionados os tratados multilaterais.

"A globalização retrocedeu nos últimos oito anos e se transformou em um assunto muito politizado em países como os EUA, onde Donald Trump (o candidato republicano à presidência) é contra o TPP (Tratado Transpacífico) e o TTIP (tratado de comércio e investimentos entre EUA e a UE)", disse Xu.

O veto da Austrália à compra, por parte de empresas chinesas, da elétrica Ausgrid e o adiamento da construção de uma usina nuclear com investimento chinês no Reino Unido provocaram mal-estar em Pequim, mas governos e empresas ocidentais também se queixam das grandes restrições impostas pelo regime comunista.

"Embora haja algumas vozes que vão contra a globalização, os ministros de Finanças e governadores de bancos centrais chegaram a um consenso sobre cooperação global", afirmou o ministro de Finanças chinês.

Para o professor da CEIBS, o "Plano de Hangzhou" deveria consistir, mais que em medidas econômicas específicas, em um "sinal claro ao mundo da vontade de cooperar" dos líderes.

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