Obama quer reforçar legado climático com China e deixar marca na Ásia com TPP

Miriam Burgués.

Washington, 2 set (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quer aproveitar a que provavelmente será sua última viagem oficial à Ásia, que inclui a cúpula do G20, para reforçar seu legado contra a mudança climática em associação com a China e deixar uma marca na região através do acordo comercial TPP.

A melhor prova de que a mudança climática será um dos eixos desta viagem é que, no trajeto rumo à China, Obama fez uma parada no arquipélago do Havaí para participar de um congresso sobre conservação e visitar o Monumento Nacional Papahanaumokuakea, o qual ele acaba de transformar na maior área protegida do mundo.

Brian Deese, principal assessor sobre mudança climática de Obama, esteve em Pequim na semana passada e comentou nesta semana, em entrevista coletiva em Washington, que a reunião que o presidente americano e o líder chinês, Xi Jinping, terão antes da cúpula do G20 estará focada nos esforços para que o Acordo de Paris se torne vinculativo "o mais rápido possível".

De acordo com o jornal "South China Morning Post", China e EUA preparam um anúncio conjunto de ratificação do Acordo climático de Paris para antes da cúpula do G20, que começará no domingo na cidade chinesa de Hangzhou.

Deese evitou confirmar se haverá anúncio e os detalhes, mas explicou que o tratado de Paris é "executivo" e, portanto, Obama pode ratificá-lo sem necessidade do conselho ou consentimento do Senado dos EUA.

Para que o Acordo de Paris entre em vigor, é necessário que pelo menos 55 países que somem no total 55% das emissões poluentes globais completem o processo de ratificação.

China e EUA, os dois países mais poluentes do mundo, somam cerca de 40% das emissões globais, e sua ratificação do pacto ajudará a deixá-lo mais perto de se transformar em vinculativo.

Por outro lado, a cúpula do G20 em Hangzhou será a décima e última de Obama, que quer usar esta reunião para continuar insistindo em "como estimular o crescimento global", segundo o assessor adjunto de assuntos econômicos internacionais da Casa Branca, Wally Adeyemo.

Também estará muito presente na agenda de Obama o Tratado Transpacífico (TPP, em inglês), já que alguns membros do G20 são, além disso, signatários desse pacto comercial, integrado pelos EUA e outras 11 nações.

O assessor adjunto de segurança nacional de Obama, Ben Rhodes, antecipou que o presidente, tanto na China como em sua posterior visita ao Laos, falará "com contundência" sobre por que o TPP "é essencial para os interesses econômicos e de segurança" dos EUA.

Pendente de aprovação no Congresso dos EUA, o TPP é visto como "uma prova de fogo" da liderança americana e uma demonstração do "compromisso" do país com ser "uma potência do Pacífico", de acordo com Rhodes, que destacou que o próximo presidente "se beneficiará enormemente" de contar com esse acordo.

Os candidatos a suceder Obama - a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump - se opõem ao TPP, e o Senado, de maioria conservadora, não prevê submeter a voto o acordo antes do término do mandato do presidente, em janeiro.

Sem deixar de lado a defesa do TPP, na sua visita ao Laos, a primeira de um presidente dos Estados Unidos ao país, Obama participará das cúpulas da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e da Ásia Oriental. Além disso, fará um discurso sobre seus esforços para priorizar a relação e a influência dos EUA na região da Ásia-Pacífico, um dos pilares de sua política externa junto com a aproximação a Cuba e o acordo nuclear com o Irã.

No campo bilateral, a Casa Branca confirmou por enquanto que Obama se reunirá com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, no domingo, antes da cúpula do G20, e posteriormente no Laos com o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte.

Obama e Erdogan devem abordar as recentes tensões bilaterais em torno do fracassado golpe de Estado na Turquia e a luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) na Síria.

No caso de Duterte, Obama transmitirá suas preocupações sobre a situação dos direitos humanos nas Filipinas, onde o chefe de governo faz uma polêmica guerra contra as drogas que recebeu críticas de várias organizações, incluindo a ONU.

Até o momento não há uma reunião formal programada entre Obama e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, mas Rhodes deu como certo que ambos conversarão "à margem" da cúpula do G20 sobre assuntos como os conflitos em Síria e Ucrânia.

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