Protestos violentos no Gabão terminaram com três mortos e mais de mil detidos

Nairóbi, 2 set (EFE).- O ministro do Interior do Gabão, Pacôme Moubelet-Boubeya, anunciou que pelo menos três pessoas morreram, e entre 800 e 1,1 mil foram detidas desde que na quarta-feira começaram os protestos pela suposta fraude na apuração das eleições vencidas pelo atual presidente, Ali Bongo, por uma estreita margem.

Em comunicado divulgado no final da noite de ontem, Moubelet-Boubeya confirmou a morte de pelo menos três pessoas durante os enfrentamentos entre a polícia e simpatizantes do candidato opositor, Jean Ping, mas negou as denúncias de abusos e excesso de força.

"As forças de segurança não se excederam e só se dedicam a manter a ordem", afirmou o ministro, que também desmentiu que o Exército tenha bombardeado a sede da coalizão opositora, como tinha denunciado Ping.

Bongo ganhou as eleições de sábado com 49,8% dos votos e Ping obteve 48,23% após uma apuração que durou mais de quatro dias e na qual houve várias irregularidades que provocaram uma onda de protestos.

Os manifestantes, que em um primeiro momento se dirigiam à sede da Comissão Eleitoral Nacional (CENAP), foram dispersados com gás lacrimogêneo e canhões de água, após o qual começaram os distúrbios e culminaram em saques de comércios e incêndios de vários edifícios oficiais.

O presidente do Gabão defendeu ontem a legitimidade de sua reeleição apesar das críticas recebidas desde as Nações Unidas, a União Europeia e Estados Unidos, que pediram a publicação dos resultados "por colégio eleitoral" para evitar suspeitas.

"A democracia é difícil de encaixar com o ataque ao parlamento e à televisão nacional", sentenciou o líder em discurso à nação deslegitimizando os protestos e se mostrou disposto a utilizar "todas as medidas necessárias" para garantir a segurança no país.

Além de reprimir os manifestantes pela força, a administração de Bongo tentou conter a crescente agitação social interrompendo as conexões telefônicas e internet.

Bongo -filho do ex-presidente Omar Bongo, que governou o Gabão entre 1967 e 2009- era o claro favorito para ser reeleito neste pleito no primeiro turno, mas sua vitória foi muito mais ajustada que o esperado.

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