Unicef estima que 500 mil crianças usaram traficantes para chegar à Europa

Genebra, 2 set (EFE).- O Unicef denunciou nesta sexta-feira que pelo menos 500 mil crianças usaram os serviços de traficantes de pessoas para entrar de forma ilegal no continente europeu desde janeiro de 2015.

Esta estimativa se baseia em dados da Europol-Interpol e informação de outras agências das Nações Unidas e de ONGs.

Segundo explicou nesta sexta-feira em entrevista coletiva a porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Sarah Crowe, o cálculo se baseia no fato de que quase 590 mil menores de idade apresentaram uma solicitação de asilo na União Europeia nesses 18 meses.

Levando em conta este número e o fato da Europol-Interpol considerar que 90% dos trajetos feitos pelos refugiados e imigrantes na Europa contam com a ajuda dos traficantes, o Unicef concluiu que meio milhão de crianças usaram seus serviços.

Das quase 600 mil solicitações de asilo de menores de idade, 100 mil foram apresentadas por crianças não-acompanhadas, embora Crowe tenha dito que o número deve ser maior porque os sistemas de registro dos países diferem entre si.

A Interpol calcula que o tráfico de seres humanos movimenta entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões por ano.

Por sua vez, os últimos dados da Europol indicam que os refugiados pagam cerca de US$ 3 mil por trajeto.

Crowe lembrou que frequentemente as crianças não só pagam uma soma muito elevada aos traficantes, mas também têm uma dívida com eles que os transforma em muito mais vulneráveis a ser explorados: abuso sexual, trabalho forçado e coerção para cometer crimes.

Por outro lado, a Organização Internacional das Migrações (OIM) informou hoje que, segundo sua apuração, 250 mil menores de idade cruzaram irregularmente rumo à Grécia e Itália em 2015.

O porta-voz da OIM, Joel Millman, especificou que a disparidade entre estes números e os mencionados anteriormente pelo Unicef se explica pelo fato de que as solicitações de asilo podem ter sido apresentadas neste ano, mas as criançass já estavam no continente anteriormente, ou chegaram por rota terrestre e não cruzando o Mediterrâneo.

Finalmente, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) lembrou hoje que há um ano o mundo foi consciente do drama do conflito na Síria graças à foto de um menino sírio de três anos, Aylan Kurdi, que morreu afogado no Mediterrâneo em sua tentativa de chegar ao litoral europeu.

O Acnur calcula que desde que Aylan morreu, pelo menos 4.176 pessoas faleceram no Mediterrâneo, o que significa 11 mortos diários nos últimos 12 meses.

O porta-voz do Acnur, William Spindler, explicou que não têm os dados sobre quantos dos falecidos eram crianças, mas que se pode estimar que eram um terço do total, dado que essa é a proporção dos que chegam a terra.

Durante os primeiros oito meses de 2016, pelo menos 281.740 pessoas chegaram à Europa cruzando o Mediterrâneo, segundo dados do Acnur.

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