Universidade dos EUA admitirá descendentes de escravos vendidos por ela

Washington, 1 set (EFE).- A Universidade de Georgetown, uma das mais prestigiadas dos Estados Unidos, anunciou nesta quinta-feira que dará prioridade nas admissões de descendentes de escravos vendidos em 1838 para pagar suas dívidas e sobreviver, entre outras medidas, dentro de um processo aberto para reconhecer seus laços com a escravidão.

Em 1838, os jesuítas conectados com a universidade, católica, privada e localizada em Washington, venderam 272 escravos, incluindo mulheres e crianças, para pagar suas enormes dívidas.

O presidente da Georgetown, John DeGioia, criou em setembro do ano passado, um grupo de trabalho para lhe dar recomendações sobre como "reconhecer e admitir" a história da universidade e sua relação com a escravidão.

Essas recomendações, publicadas nesta quinta, incluem que os descendentes desses escravos vendidos em 1838 recebam tratamento preferencial nas solicitações de admissão à universidade, similar ao que desfrutam os filhos de professores, funcionários ou ex-alunos.

O grupo de trabalho também recomendou "oferecer uma desculpa" pela relação "histórica" da universidade com a escravidão, assim como estabelecer um monumento público em memória dos escravos.

Além disso, um dos prédios da universidade passará a se chamar Isaac Hall, em homenagem ao primeiro escravo mencionado nos documentos sobre a venda de 1838, e outro receberá o nome de Anne Marie Becraft, uma freira negra que fundou uma escola para meninas negras próximo de Georgetown.

Depois de dar as principais medidas a serem adotadas pela universidade, DeGioia fez um discurso histórico diante de centenas de estudantes e professores, onde também tinha como convidados alguns dos descendentes desses escravos.

"Esta comunidade participou da instituição da escravidão. Esse mal original, que tomou forma durante os primeiros anos da República, também esteve presente aqui", reconheceu DeGioia.

"Fomos capazes de esconder essa verdade, enterrar essa verdade, ignorar e negar essa verdade. Como comunidade e como indivíduos, não podemos tirar o melhor de nós se rejeitamos assumir a responsabilidade por essa parte de nossa história", acrescentou.

DeGioia, além disso, explicou que a instituição que ele preside pedirá perdão por esses erros "dentro da tradição católica", ou seja com uma missa de reconciliação com a participarão os superiores jesuítas nos Estados Unidos e a Arquidiocese de Washington.

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