Obama pede que China respeite normas internacionais sobre assuntos marítimos

(Atualiza com declarações de Xi Jinping).

Hangzhou (China), 3 set (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu neste sábado a seu colega chinês, Xi Jinping, que respeite as normas ditadas pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS, sigla em inglês) em relação às disputas com outros países por territórios do Mar da China Meridional.

Obama ressaltou que é importante que a China, que é signatária da UNCLOS, "aceite suas obrigações", e que os Estados Unidos consideram isso um ponto "crítico" para que seja possível manter "uma ordem internacional baseada na lei", durante o encontro realizado hoje com Xi em Hangzhou, cidade do leste da China que sediará a cúpula do G20.

O líder americano se referia concretamente ao fato de a China ignorar uma decisão contra ela, e favorável às Filipinas, emitida em julho pelo Tribunal de Haia sobre as disputas entre os países por territórios do Mar da China Meridional, em função dos preceitos estipulados pela UNCLOS.

Os Estados Unidos, segundo Obama, mantêm intacto seu compromisso com a segurança de seus aliados, entre eles as Filipinas, e continuarão trabalhando com todos os países da região para defender os princípios das leis internacionais, do comércio justo e da liberdade de navegação e voo.

Xi, por sua vez, pediu aos Estados Unidos que tenham "um papel construtivo" na manutenção da paz e da segurança no Mar da China Meridional, e garantiu que a China resolverá as disputas de forma pacífica através de consultas diretas com os afetados.

Por outro lado, ambos os líderes reafirmaram durante o encontro seu entendimento de que é necessário conter a ameaça nuclear da Coreia do Norte e fortalecer a coordenação para implementar as sanções impostas contra esse país pelo Conselho de Segurança da ONU.

No entanto, a China se opõe ao plano dos EUA de posicionar o escudo antimísseis THAAD na Coreia do Sul em resposta a Pyongyang, já que considera que o mesmo também representa uma ameaça para seu território.

Além disso, Obama pediu a Xi que antecipe as reformas econômicas no país e que garanta um "campo de jogo equilibrado" para suas empresas, depois que a Câmara de Comércio dos EUA fez queixas na semana passada, e discutiu com ele o plano de Pequim para gerenciar o excesso de capacidade de sua indústria.

Já Xi convidou ambos os países a trabalharem juntos para que consigam finalizar um tratado de investimento bilateral que vem sendo negociado há muito tempo, e adiantou que a China "facilitará o acesso aos investimentos estrangeiros".

"A China dá as boas-vindas para as empresas estrangeiras que queiram investir no país, e continuaremos promovendo um ambiente de negócios favorável" para elas, disse o dirigente chinês a Obama.

No plano positivo, os dois dirigentes se comprometeram a impulsionar a cooperação em missões de paz, na gestão da crise de refugiados, na saúde global, na assistência humanitária e na resposta aos desastres, assim como na coordenação da situação no Iraque e no Afeganistão.

Os dois presidentes admitiram que o progresso alcançado nos últimos dois anos teve "efeito estabilizador" nas relações bilaterais e ajudou a fortalecer a confiança entre os exércitos dos dois países, que se comprometeram a melhorar sua cooperação na luta contra as drogas.

Quanto à cibersegurança, os dois líderes defenderam o desenvolvimento de um mecanismo para melhorar a cooperação legal, em meio às frequentes acusações recíprocas de espionagem digital.

Além disso, Obama e Xi condenaram "todas as formas de terrorismo" e decidiram melhorar a troca de informações sobre terroristas estrangeiros, incluindo informação biográfica de suspeitos e inteligência.

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