Suu Kyi encerra conferência das etnias com pedido de união em Mianmar

Bangcoc, 3 set (EFE).- A líder do governo de Mianmar e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, encerrou neste sábado em Naipydo a histórica conferência das etnias com um pedido de união e superação das diferenças do passado com o olhar para o futuro.

"É muito importante que nos comprometamos a avançar com coragem, não pelo bem de um indivíduo ou de um grupo étnico, mas pelo bem de todo o país", disse Suu Kyi, responsável pelo processo de paz, segundo o jornal local "Mianmar Times".

Suu Kyi, que também é ministra das Relações Exteriores, ressaltou a "importância crucial" de possuir a habilidade de avançar e de "trabalhar em conjunto para encontrar soluções" porque "depende de cada um querer permanecer ancorado no passado ou enfrentar o futuro". A dirigente reiterou o compromisso de seu governo em estabelecer uma paz duradoura.

O Executivo e as minorias étnicas inauguraram na quarta-feira passada esta reunião histórica organizada para encaminhar o processo de paz após décadas de conflito armado.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, participou da sessão inaugural da conferência, para a qual foram convidadas cerca de 1,8 mil pessoas, entre representantes do governo, do Exército, das etnias e suas guerrilhas, dos partidos políticos, dos grupos civis e observadores internacionais.

As grandes ausências foram três guerrilhas que mantêm combates com as tropas governamentais: o Exército da Aliança Democrática Nacional de Mianmar, o Exército de Libertação Nacional Ta'ang e o Exército Arakán.

Não estava previsto a emissão de comunicado ou declaração final algum à conclusão da conferência, mas Suu Kyi quer reuniões a cada seis meses e a comissão encarregada do processo de paz se encarregará de apresentar no próximo encontro o texto de um acordo para o diálogo político.

Uma maior autonomia é a reivindicação principal de quase todas as minorias étnicas de Mianmar. Suu Kyi reconheceu que "alcançar a paz é muito difícil", mas insistiu que é preciso reconciliação e que não se deve perder a esperança porque este foi só o primeiro passo.

Mianmar foi governado por generais de 1962 até 2011, quando começou uma transição tutelada pelos militares que desembocou nas eleições de 8 de novembro de 2015, que foram vencidas pelo movimento democrático de Suu Kyi.

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