Enviado da ONU admite que Líbia está dividida política e economicamente

Argel, 4 set (EFE).- O enviado especial das Nações Unidas para a Líbia, Martin Kobler, admitiu neste domingo que o país está dividido, tanto econômica como politicamente, e que os desafios que precisam ser resolvidos ainda são grandes e complexos.

Em uma conferência oferecida em Argel, a capital da Argélia, onde faz uma visita oficial, o diplomata insistiu que é crucial que o chamado governo de unidade apoiado pela ONU alcance a legitimidade dos líbios para poder avançar para a solução de um conflito que já deixou milhares de mortos.

"Existe um bloqueio no parlamento de Tobruk (o reconhecido pela comunidade internacional). É necessário que o governo de unidade obtenha a legitimidade nacional, e não só (o apoio) internacional. Devemos reconciliar as duas partes do país", disse Kobler em um momento de seu discurso.

O citado parlamento, que apesar de enfraquecido ainda conserva a legitimidade que lhe foi proporcionada pela comunidade internacional como o único interlocutor oficial líbio, decidiu na semana passada não conceder a confiança ao governo de união nacional impulsionado pela ONU em abril.

Ao fracassar pela segunda vez nessa tentativa, os deputados da oposição consideram que esta via está fechada, mas tanto o Conselho Presidencial designado pela ONU como o presidente da Câmara acreditam que pode haver uma nova tentativa se houver mudanças no gabinete.

O pronunciamento do diplomata alemão, intitulado "As perspectivas de solução da crise na Líbia", foi oferecido na sede do Ministério de Relações Exteriores da Argélia e também girou em torno da crítica situação econômica e social vivida no país norte-africano.

Rico em hidrocarbonetos, que seriam suficientes para oferecer uma vida confortável para seus 6 milhões de habitantes, a recente divisão da Companhia Nacional de Petróleo reduziu os lucros de um país que, antes da revolução de 2011, produzia mais de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia.

"A produção experimentou uma queda absoluta. Antes da guerra, estava em torno de 1,6 milhões de barris diários, mas, neste mês de agosto, ficou em apenas 207 mil. É essencial mudar o ciclo econômico", declarou Kobler.

Além da queda da produção de petróleo, a paralisia financeira, o desemprego, a inflação galopante e a ausência de serviços básicos regulares, como o fornecimento de água corrente e eletricidade, criaram uma aguda crise social no país.

Kobler também mencionou a insegurança, já que a Líbia conta com dezenas de milícias armadas descontroladas que mudam frequentemente de lado, e o poder acumulado por grupos jihadistas como a Al Qaeda e o braço líbio do Estado Islâmico (EI).

Sobre essa questão, o diplomata louvou o avanço das milícias do oeste da Líbia na cidade de Sirte, que é controlada pelo EI desde fevereiro de 2015, e disse que está confiante que este porto será conquistado em breve, algo que o governo de unidade espera com ansiedade para ganhar força no conflito político.

As milícias do oeste da Líbia, em sua maioria procedentes da cidade de Misrata e nominalmente aliadas ao governo de unidade, levantaram em maio um cerco a Sirte, o cidade onde nasceu o antigo ditador do país, o general Muammar Kadafi.

Após mais de dois meses de avanços infrutíferos no local, a intervenção de aviões militares americanos e britânicos em 1º de agosto permitiu que as milícias conseguissem quebrar a resistência dos terroristas islâmicos.

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