Partido de Merkel é derrotado pela direita populista alemã em pleito estadual

(Corrige nome do estado Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental).

Noelia López.

Berlim, 4 set (EFE).- As eleições regionais no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste da Alemanha, terminaram neste domingo com um resultado inédito na recente história democrática do país, depois que a União Democrata-Cristã (CDU, sigla em alemão) de Angela Merkel perdeu a hegemonia da direita frente aos populistas da Alternativa para a Alemanha (AfD, sigla em alemão).

A derrota de Merkel ocorreu precisamente no estado federado em que a chanceler tem seu distrito eleitoral nas eleições gerais, que devem acontecer daqui a um ano, e no aniversário do dia em que a premiê decidiu abrir as fronteiras do país diante do drama da crise dos refugiados.

Apesar de perder cinco pontos, o Partido Social-Democrata (SPD) se manteve como a força mais votada, com 30,6%, segundo os resultados provisórios com a apuração finalizada em 99% dos distritos eleitorais.

A AfD, em sua primeira incursão no pleito regional nesse estado, ficou com a segunda posição, com 20,8% dos votos, apoiada em um discurso nacionalista e, em algumas ocasiões, com contornos xenófobos, contrário à chegada dos refugiados.

Já a CDU, que segue liderando as pesquisas com folga em nível nacional e que tinha governado como sócio menor dos social-democratas durante os últimos dez anos em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, caiu para o terceiro lugar, com 19% dos votos.

Com Merkel na cúpula do G20 da China, a milhares de quilômetros de distância do terremoto político que se vivia em Berlim, o secretário-geral do partido, Peter Tauber, compareceu diante dos veículos de imprensa para reconhecer os "amargos" resultados e tentar defender a política de refugiados do governo federal.

"Será necessário tempo para recuperar a confiança perdida", admitiu Tauber, que alertou que a AfD representa um desafio para "todos os partidos democráticos" do país e acusou os populistas de brincarem com "os medos" e as preocupações dos alemães e de tentarem tornar um discurso de extrema direita "apresentável".

Ao surgir como segunda força no estado, a AfD conquistou do ultradireitista Partido Nacional Democrático (NPD, sigla em alemão), que é alvo de um processo no Tribunal Constitucional, as únicas cadeiras que tinha até agora em um parlamento regional.

A Esquerda também perdeu força e obteve 13,2% dos votos, enquanto Os Verdes ficaram fora da Câmara, com 4,8%.

Apesar do golpe, os social-democratas, liderados em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental por Erwin Sellering, se mostraram aliviados com os resultados que permitirão, em princípio, reeditar sua coalizão com os democratas-cristãos.

Frente aos partidos tradicionais, a euforia se instalou na AfD, cuja líder, Frauke Petry, elogiou a força de um partido que, segundo ela, foi capaz de ouvir os cidadãos "decepcionados" com a política das grandes legendas tradicionais do país.

Frente aos que acusam o partido de utilizar as preocupações desses cidadãos para seu avanço eleitoral, Petry defendeu a necessidade de uma formação política que ofereça respostas para "os grandes problemas" atuais, desde os refugiados até a crise europeia, e para os quais Merkel não oferece nenhuma solução.

A AfD nasceu em 2013 como uma força eurocética diante das ajudas financeiras à Grécia e ficou fora do Bundestag (Câmara Baixa) nas eleições gerais realizadas naquele ano por uma margem estreita.

A crise dos refugiados impulsionou as expectativas eleitorais do partido, que pode chegar a 11% dos votos nas próximas eleições gerais, que acontecem em setembro do ano que vem, e que em março já tinha obtido importantes resultados em três pleitos regionais.

Na Saxônia-Anhalt, também no leste do país, a AfD obteve 24,2% dos votos e se transformou na segunda força nesse estado, atrás da CDU de Merkel, enquanto em Baden-Württemberg conseguiu 15,1% e 12,6% na Renânia-Palatinado.

O próximo teste do partido será dentro de duas semanas, quando acontecem novas eleições na cidade-estado de Berlim.

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