Sudão do Sul autoriza envio de mais 4 mil soldados da ONU ao país

Juba, 4 set (EFE).- O governo do Sudão do Sul autorizou neste domingo o envio de mais 4 mil boinas azuis ao país, segundo anunciou o Executivo em comunicado conjunto com o Conselho de Segurança da ONU, que está atualmente representado na capital Juba com uma delegação que realiza uma visita oficial.

"Para melhorar a situação de segurança, o governo de transição de união nacional deu seu consentimento ao desdobramento, como parte da UNMISS (missão da ONU no Sudão do Sul), da força de proteção regional", afirmou o ministro de Assuntos Governamentais sul-sudanês, Martin Elia Lomoro.

A autoridade sul-sudanesa acrescentou que esse envio foi recentemente autorizado pela resolução 2304 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que decidiu aumentar para 17 mil o número de soldados militares na força da UNMISS, que atualmente conta com 13 mil.

Lomoro acrescentou que as forças da missão da ONU e o governo sul-sudanês "seguirão trabalhando sobre as modalidades do desdobramento", que foi aprovado no dia 12 de agosto nessa resolução.

Além disso, o ministro acrescentou que o Executivo "se compromete a dar liberdade de movimento à UNMISS em conformidade com seu mandato para proteger civis".

Lamoro também mostrou sua determinação para "melhorar imediatamente o acesso humanitário, fornecendo assistência e eliminando postos de controle ilegais".

A UNMISS, por sua vez, se comprometeu a "informar ao governo todos os seus movimentos e os detalhes dos mesmos".

A representante dos Estados Unidos na ONU e chefe da delegação do Conselho de Segurança que visita Juba, Samantha Power, detalhou que as duas partes deverão ainda discutir a "fórmula para implementar a decisão (do desdobramento)".

"Estamos preocupados com a situação dos civis no Sudão do Sul e viemos para implementar a decisão do Conselho de Segurança", acrescentou Power.

A resolução estabelece o envio de mais soldados até chegar aos 17 mil efetivos, que podem fazer uso de "todos os meios necessários" para proteger o pessoal da ONU e suas instalações, assim como tomar ações "proativas" para zelar pela segurança dos civis.

A resolução foi aprovada após os confrontos entre as tropas leais ao presidente Kiir e forças do líder opositor e ex-vice-presidente Riek Machar, entre os dias 8 e 11 de julho, que causaram pelo menos 300 mortes e o deslocamento de milhares de pessoas em Juba.

A Comissão de Vigilância e Avaliação para o acordo de paz sul-sudanês garantiu em agosto que o aumento das forças internacionais tem como objetivo preservar a paz e que não está direcionado contra nenhuma facção, diante dos receios que a medida despertou inicialmente no Sudão do Sul.

O presidente Salva Kiir e o ex-vice-presidente e antigo líder opositor, Riek Machar, formaram um governo de união nacional em abril, conforme o estabelecido no acordo de paz de 2015, que pelo menos, no papel, pôs fim à guerra.

O conflito entre os dois líderes explodiu no final de dezembro de 2013, depois que Kiir, da etnia dinka, denunciou uma tentativa de golpe de Estado por parte de Machar, que pertence à tribo nuer.

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