Procuradoria francesa pede que Sarkozy seja julgado por contas de campanha

Paris, 5 set (EFE).- O Ministério Público de Paris pediu nesta segunda-feira que o ex-presidente conservador Nicolás Sarkozy seja julgado junto a outros 13 acusados por financiamento ilegal de campanha para as eleições de 2012, nas quais foi superado pelo socialista François Hollande.

O atual candidato às primárias da centro-direita está envolvido no "caso Bygmalion", escândalo que deve seu nome à empresa que supostamente emitiu falsas faturas pelo valor de 18,5 milhões de euros para que a então União por um Movimento Popular (UMP) assumisse despesas que correspondiam à campanha.

Após a opinião do MP corresponde agora aos juízes de instrução se pronunciar nos próximos meses se aceitam o pedido de julgar Sarkozy e os outros protagonistas.

Caso os magistrados se pronunciem a favor antes das primárias, previstas para 20 e 27 de novembro em primeira e segunda rodada, as possibilidades do ex-chefe de Estado de ganhar esses pleito poderiam ser afetadas.

Mas se ganhar essas primeiras eleições e posteriormente as presidenciais, programadas para abril e maio de 2017, Sarkozy teria imunidade e só poderia ser julgado após 2022, uma vez que terminasse seu mandato.

O anúncio do MP de hoje constitui "uma nova manobra política grosseira que não resistirá, da mesma forma que as outras", destacou o advogado de Sarkozy, Thierry Herzog, que disse ter recebido a notícia "com estupefação".

"Os dois anos de instrução demonstraram ausência total de envolvimento em fatos supostamente delitivos", acrescentou o letrado em reação a um pedido do promotor quatro dias antes de o Partido Os Republicanos encerrar o prazo para apresentar as candidaturas às primárias.

A Justiça francesa tenta determinar o papel de Sarkozy na elaboração dessas falsas faturas.

Os magistrados suspeitam que os responsáveis da campanha criaram um sistema fraudulento para carregar à UMP, atual LR, parte das despesas eleitorais, que não podiam ultrapassar os 22,5 milhões permitidos pela lei.

Sarkozy não está acusado neste caso por fraude, mas pelo suposto financiamento ilegal dessa campanha, ao ter superado esse teto.

O ex-mandatário conservador reiterou em diversas ocasiões que não havia ouvido o nome de "Bygmalion" até tempo depois dessa campanha, e alegou também que nesse período ele não se ocupava dos detalhes porque devia se dedicar a governar como presidente.

Entre os outros 13 acusados há dirigentes da antiga UMP, responsáveis da campanha presidencial, diretores da empresa de comunicação Bygmalion e de sua filial Event and Cie.

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