Governo russo acusa centro sociológico Levada de ser financiado pelos EUA

Moscou, 6 set (EFE).- O governo da Rússia acusou nesta terça-feira o principal centro sociológico independente do país, Levada, de ser financiado pelos Estados Unidos, motivo pelo qual decidiu incluir essa instituição em sua lista de "agentes estrangeiros".

O Centro Levada "recebeu grande parte de seu financiamento estrangeiro dos EUA, entre eles uma bolsa de estudos da Universidade de Wisconsin em Madison", informou hoje o Ministério da Justiça russo.

Além disso, o Kremlin destacou que, entre as organizações que supervisionam a universidade citada, está o Pentágono.

As autoridades russas, que incluíram na segunda-feira o Levada nessa controvertida lista, faltando poucos dias para as eleições parlamentares no país, que acontecem em 18 de setembro, publicaram hoje os nomes de instituições e organizações que patrocinam esse centro sociológico.

Entre outras estão o Instituto Gallup e as universidades do Colorado, Columbia e George Washington, além de outras instituições britânicas, alemãs, suíças, norueguesas e lituanas.

"A investigação determinou que essa organização recebe financiamento de fontes estrangeiras e atua em defesa de seus interesses em atividades políticas em território russo", acrescentou o Ministério da Justiça.

Para o governo russo, o Levada realiza atividades políticas ao propagar opiniões sobre a tomada de decisões por parte do governo russo e ao participar da formação da opinião pública.

O Centro Levada, que atua desde tempos soviéticos (1988), reconheceu que a decisão do governo complicará seu trabalho, já que afastará tanto clientes como objetos de pesquisa, mas negou que vá a suspender suas atividades.

"A inclusão de uma ou outra organização na lista de agentes estrangeiros não põe uma cruz sobre nosso trabalho, por isso continuaremos com ele", disse o subdiretor do Levada, Alexei Grazhdankin, à agência russa "Interfax".

Além disso, Grazhdankin ressaltou que a prioridade são os clientes russos e que o Levada reduzirá o número de contratos com os estrangeiros para que Moscou remova esse status da instituição.

"Não estamos fazendo pesquisas sobre temas eleitorais agora", acrescentou o subdiretor do Levada, que lembrou que a legislação russa proíbe a divulgação de resultados de pesquisas sobre intenções de voto na última semana de campanha.

O líder comunista, Gennady Ziuganov, tachou de "completa bobagem" qualificar o Levada como "agente estrangeiro", mas os nacionalistas e social-democratas manifestaram compreensão com a decisão das autoridades russas.

Em meados de agosto, o centro publicou uma pesquisa que atestava que mais da metade dos russos esperavam fraudes nas eleições parlamentares nas quais o partido do governo, o Rússia Unida, busca renovar sua maioria absoluta.

O Centro Levada sempre se negou a entrar voluntariamente nessa lista, alegando ser uma organização sem fins lucrativos e que o dinheiro arrecadado é utilizado para financiar as atividades da organização e projetos humanitários.

O presidente russo, Vladimir Putin, promoveu, em seu retorno ao Kremlin em 2012, a catalogação como "agentes estrangeiros" de ONGs que recebem dinheiro do exterior.

Isso aconteceu depois dos maiores protestos antigovernamentais em 20 anos protagonizados pela oposição extraparlamentar russa após as fraudulentas eleições legislativas de dezembro de 2011, que, segundo Putin, foram instigados pelos EUA.

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