Ministro da Justiça do Gabão renuncia após pedir apuração de votos

Nairóbi, 6 set (EFE).- O ministro da Justiça do Gabão, Seraphin Moudounga, renunciou nesta terça-feira diante da grave ameaça "para a paz e a segurança" que, em sua opinião, representa a não recontagem dos votos emitidos nas eleições presidenciais, que deram a reeleição a Ali Bongo com uma vitória apertada, que a oposição considera fraudulenta.

"Libero-me das minhas funções de governo e me despedido do Partido Democrático do Gabão (PDG)", a legenda liderada por Bongo, disse o já ex-ministro em discurso exibido ontem à noite na televisão do país.

Moudounga explicou que, após solicitar que os votos emitidos voltassem a ser revisados, "seção por seção e registro por registro", obteve como resposta que "a recontagem não está prevista pela lei eleitoral gabonesa".

A solicitação do agora ex-titular de Justiça se une a outras de vários países e organizações internacionais que pediram maior transparência nos resultados do último dia 27, que desencadearam uma onda de protestos violentos na semana passada.

A renúncia de Moudounga é a primeira de um integrante do alto escalão do governo de Bongo com a escalada da violência no período pós-eleitoral, que resultou em várias mortes e na detenção de aproximadamente mil pessoas pelas forças da ordem, segundo fontes oficiais.

"Convoco meus compatriotas gaboneses para defender a democracia e a paz", concluiu o ex-ministro.

O presidente do Gabão defende a legitimidade de sua reeleição, obtida por 49,8% dos votos, contra 48,23% do líder da oposição, Jean Ping.

Além de reprimir os manifestantes pela força, a administração de Bongo tentou conter a crescente agitação social cortando as conexões telefônicas e a internet.

Ali Bongo é filho do ex-presidente Omar Bongo, que governou o Gabão entre 1967 e 2009, e era o claro favorito para ser reeleito neste pleito, mas sua vitória acabou sendo muito mais apertada que o esperado.

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