ONG denuncia ataque químico realizado pelo Exército da Síria em Aleppo

(atualiza com novos detalhes)

Beirute, 6 set (EFE).- O Observatório Sírio de Direitos Humanos denunciou nesta terça-feira que as forças do regime do presidente do país, Bashar al-Assad, lançaram um ataque com gás em um bairro da cidade de Aleppo, que provocou sintomas de asfixia em 60 pessoas, entre elas crianças.

Ativistas sírios e fontes de hospitais da região disseram à Agência Efe que os casos foram registrados em Al Sukari, onde os soldados governamentais lançaram barris com o gás cloro.

Desde Al Sukari, o diretor do organização Legista de Aleppo Livre, Mohammed Kahil, explicou à Agência EFE que helicópteros militares, cuja origem não soube precisar, lançaram barris de explosivos com gás cloro contra esse distrito, controlado pelos rebeldes, por volta das 14h local (8h, em Brasília).

Kahil afirmou que o número de pessoas afetadas por asfixia é superior a 100, "já que em um hospital foram internadas 80 e, em outro, 50".

O responsável médico acrescentou que sua organização, que presta serviços de saúde, atendeu alguns dos afetados, que mais tarde foram transferidos a um hospital.

Por sua vez, o cirurgião Rami Klazi também não descartou que o número de casos de asfixia seja superior a 100.

"Segundo o que me contaram meus colegas e ativistas, o bombardeio foi realizado com gás cloro", apontou Klazi, que não reside em Aleppo, mas que mantém contato com médicos no interior da cidade.

A Defesa Civil síria, um grupo de voluntários que realiza trabalhos de resgate em áreas sob controle opositor, divulgou um vídeo no qual é possível ver vários de seus membros limpando com mangueiras de água a pele e a roupa de vários afetados pelo ataque.

Em outra sequência, é possível ver como várias pessoas com sintomas de asfixia são atendidas em um centro sanitário com máscaras de oxigênio.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, que citou fontes médicas, confirmou este suposto ataque com gás por parte das forças governamentais contra o distrito de Al Sukari e afirmou também que houve 60 pessoas com sintomas de asfixia.

Segundo o relatório de especialistas da ONU entregue em agosto ao Conselho de Segurança, o governo do presidente sírio, Bashar al Assad, e os terroristas do grupo Estado Islâmico (EI) utilizaram armas químicas na Síria desde 2013.

Nesse ano, o Executivo de Damasco aceitou a destruição de seu arsenal químico após vários supostos ataques, uma eliminação que aconteceu com base em uma resolução aprovada pelo próprio Conselho de Segurança da ONU, que estabelecia a possibilidade de impor castigos em caso de descumprimento.

No entanto, a Rússia, aliada de Assad, descartou a imposição de sanções à Síria na ONU pelo uso de armas químicas e considera que o relatório elaborado a respeito não deixa clara a responsabilidade do regime.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos