Rajoy pede reflexão à líder do PSOE sobre formação de novo governo na Espanha

Madri, 6 set (EFE).- O presidente interino do Governo da Espanha, Mariano Rajoy, pediu nesta terça-feira que o líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, reflita sobre o bloqueio político vivido no país e que reconsidere sua postura de negociação para a formação de um novo Executivo.

Em uma conversa por telefone realizada por iniciativa de Sánchez, Rajoy reiterou a solicitação para que o líder do PSOE reavalie a possibilidade de formar um grande acordo para comandar o país nos próximos anos, depois de ter fracassado na tentativa de assumir a liderança do governo na última sexta-feira.

Esse entendimento, segundo o líder do Partido Popular (PP), seria para fazer frente à ameaça independentista, especialmente da Catalunha, negociar um novo sistema de financiamento autônomo, para abordar um pacto sobre o modelo educativo, a previdência e a violência de gênero da Espanha. Além disso, também abordaria as reformas institucionais pendentes em relação à União Europeia (UE).

Rajoy, citando a si mesmo, afirmou que o novo governo deve estar liderado pelo partido e o candidato em que duas ocasiões foi o favorito dos espanhóis nas urnas. O PP venceu os dois últimos pleitos realizados no país, mas não obteve maioria suficiente - nem através de acordos com outras siglas - para garantir no parlamento a reeleição do atual presidente interino de Governo.

O líder do PP disse que a Espanha deve contar com um governo que possa responder aos compromissos que tem diante de si e que mantenha o impulso da recuperação econômica e o ritmo de criação de empregos.

Por isso, disse acreditar ser prioritário apresentar ao Congresso o projeto de Orçamento Geral do Estado. E lembrou que um governo interino não tem poder para adotar as medidas necessárias para compensar os efeitos indesejados da prorrogação orçamentária.

Rajoy destacou a "imperiosa obrigação" de cumprir antes do próximo dia 15 de outubro os acordos de Bruxelas para conseguir suavizar o caminho de correção do déficit público.

"O presidente do Governo explicou mais uma vez ao dirigente socialista as graves consequências que dito descumprimento acarretaria, assim como outros efeitos nocivos que já estão sendo produzidos como consequência do bloqueio político", afirmou em nota.

"Todos esses motivos, unido ao fato inédito de já termos realizado eleições em duas ocasiões e de a Espanha estar submetida a uma ameaça gravíssima contra sua unidade territorial, configuram uma situação excepcional que obriga os representantes políticos a adotar decisões em consequência", completa o comunicado oficial.

Neste sentido, Rajoy lembrou a Sánchez que em dezembro de 2015, após ser o "claro vencedor das eleições", ofereceu a formação de um governo de grande coalizão: PP, PSOE e Ciudadanos. Uma oferta que foi reiterada nas eleições de junho, também vencidas pelo PP.

"O presidente do Governo convidou Sánchez a refletir sobre o bloqueio político, a desconfiança e o mal-estar que isso está provocando entre os cidadãos. Um acordo entre PP e PSOE seria uma resposta excepcional de entendimento entre os partidos", disse.

Apesar de a conversa ter terminado sem nenhum avanço concreto, Rajoy agradeceu Sánchez e ambos concordaram em seguir dialogando no futuro para resolver o problema político da Espanha.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos