Governo russo continua busca de "agentes estrangeiros" antes das eleições

Moscou, 7 set (EFE).- O governo da Rússia prosseguiu nesta quarta-feira com sua busca por "agentes estrangeiros", ou seja, ONGs que recebem financiamento externo, com uma inspeção na prestigiada organização de direitos humanos Memorial.

A procuradoria iniciou a investigação da Memorial para esclarecer se a organização exerce funções "de agente estrangeiro", informou a ONG em comunicado.

Os resultados desta investigação devem ser divulgados antes do fim do mês, acrescentou a Memorial, que se dedica, entre outras coisas, à reabilitação de pessoas que sofreram represálias durante o período soviético e que foi candidata ao prêmio Nobel da Paz em várias ocasiões.

"A Memorial funciona há quase 30 anos, o que demonstra que somos necessários para muita gente neste país. Tenho certeza que, independentemente do resultado da inspeção, a Memorial continuará seu trabalho", afirmou Arseni Roguinski, diretor da organização.

Roguinski reconheceu que espera "o pior", ou seja, a catalogação da Memorial como "agente estrangeiro", mas lembrou que, por se tratar de uma ONG internacional, não deve ser incluída nessa controvertida lista, segundo opinou o Tribunal Constitucional.

Roguinski destacou que as autoridades russas podem considerar como atividades políticas qualquer ato ou declaração pública de seus membros.

"Levando em conta o que o Ministério da Justiça entende por atividade política, ou seja, a tentativa de influenciar a opinião pública, todas as nossas atividades se enquadram nisto, assim como as de qualquer outra organização, por isso não será difícil", afirmou Roguinski.

Esta semana o Ministério da Justiça incluiu na lista de "agentes estrangeiros" o principal centro sociológico independente do país, o Levada, que foi acusado de receber financiamento dos Estados Unidos.

"A investigação estabeleceu que a organização citada é financiada com fontes estrangeiras e atua em defesa de seus interesses em atividades políticas em território russo", afirmou o Ministério da Justiça russo.

O Centro Levada, que funciona desde os tempos soviéticos (1988), adiantou que suspenderá suas pesquisas sociopolíticas, mas que vai recorrer da decisão da Justiça.

"O Levada tem a possibilidade de recorrer da decisão. É uma das 'fábricas de pesquisas' mais antigas e, sem sombra de dúvida, tem grande experiência e conta com grande autoridade entre as agências sociológicas", disse hoje o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Em meados de agosto, o Centro Levada publicou uma pesquisa que atestava que mais da metade dos russos esperavam fraudes nas eleições parlamentares nas quais o partido do governo, o Rússia Unida, busca renovar sua maioria absoluta.

O Centro Levada sempre se negou a entrar voluntariamente nessa lista, alegando ser uma organização sem fins lucrativos e que o dinheiro arrecadado é utilizado para financiar as atividades da organização e projetos humanitários.

O presidente russo, Vladimir Putin, promoveu, em seu retorno ao Kremlin em 2012, a catalogação como "agentes estrangeiros" de ONGs que recebem dinheiro do exterior.

Isso aconteceu depois dos maiores protestos antigovernamentais em 20 anos protagonizados pela oposição extraparlamentar russa após as fraudulentas eleições legislativas de dezembro de 2011, que, segundo Putin, foram instigados pelos EUA.

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