Uruguai cogita vários países árabes como destino de ex-detento de Guantánamo

Montevidéu, 7 set (EFE).- O governo do Uruguai pensa em vários "países árabes" para que aceitem em seu território o ex-detento de Guantánamo, Jihad Ahmad Diyab, acolhido em 2014 como refugiado, informou nesta quarta-feira Christian Mirza, nexo entre o governo uruguaio e o ex-presidiário.

"O governo está há vários dias fazendo gestões perante diferentes Estados, sobretudo do mundo árabe, para que possam acolher Diyab, tal como é seu desejo para seu reencontro com sua família", comentou Mirza em entrevista à emissora uruguaia "Radio Sarandí".

Além disso, Mirza ressaltou que se encontra em "contato direto e cotidiano" com o Ministério das Relações Exteriores sobre o assunto, e que lhe consta "firmemente que o governo está fazendo o esforço máximo para conseguir esse país".

"Não é fácil. Não é nada simples, mas se está trabalhando", destacou.

Diyab deixou o território uruguaio em meados de junho e no final de julho se apresentou no consulado uruguaio em Caracas, onde pediu para ser transferido a um terceiro país para se reunir com sua família, mas na saída de dita sede diplomática foi detido pelas autoridades venezuelanas e deportado ao Uruguai semanas depois.

Em meados de junho, o governo brasileiro havia confirmado que Diyab estava sendo procurado pela Polícia Federal e o assunto ganhou destaque na imprensa.

Antes de ser preso em Guantánamo, o sírio teria atuado como recrutador da rede Al-Qaeda e seu desaparecimento gerou temor em relação à segurança nos Jogos Olímpicos.

Segundo veículos de comunicação locais, Diyab mantém uma greve de fome desde sua estadia na Venezuela com o propósito que lhe deem asilo em algum país árabe.

Em um vídeo divulgado no YouTube nesta terça-feira, onde se pode ver o sírio na cama de seu apartamento em Montevidéu, Diyab acusa o governo uruguaio de não cumprir "a promessa de ver sua família" e de "poder estar aqui livre".

"Minha decisão, com a greve de fome, é uma decisão extrema, minha última decisão. Ou vou ver minha família em outro país ou me morro", sentenciou o ex-detento.

A respeito desse vídeo, Mirza esclareceu que o refugiado "faz afirmações que não são absolutamente certas ou, pelo menos, é preciso estabelecer alguns outros fatores e elementos que relativizam um pouco".

"Seria preciso perguntar por que razão a família dele em particular não pôde vir ao Uruguai, quando as outras famílias dos outros refugiados de Guantánamo, quando quiseram, estiveram aqui", completou Mirza.

Na entrevista à emissora de rádio, Mirza comentou que os demais ex-detentos de Guantánamo que vieram ao Uruguai "estão reconstruindo sua vida com alguma dificuldade, mas mais ou menos bem em geral. Salvo o caso de Diyab".

Diyab, outros três sírios, um tunisiano e um palestino foram amparados no Uruguai em dezembro de 2014 como parte do compromisso do então presidente do Uruguai, José Mujica, de colaborar com seu homólogo americano, Barack Obama, no plano de fechamento do presídio de Guantánamo (Cuba).

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