Abdeslam mantém silêncio diante de juiz que investiga atentados de Paris

Paris, 8 set (EFE).- Salah Abdeslam, o único dos supostos autores dos atentados de Paris de 13 de novembro que está preso, ficou em silêncio nesta quinta-feira diante de um dos juízes instrutores que voltou a convocá-lo para que explicasse seu papel no massacre.

Seu advogado, Franck Berton, explicou à imprensa que Abdeslam, ao término deste interrogatório que se prolongou durante uma hora e meia no Palácio de Justiça de Paris, preferiu ater-se a seu direito de ficar em silêncio.

Berton afirmou que o suposto terrorista justifica esse silêncio porque "é um direito" e que Abdeslam "tem a intenção de exercer este direito que lhe pertence".

O advogado francês, que compareceu junto a outro defensor de Abdeslam, o belga Sven Mary, reconheceu que o detido tinha indicado que queria falar aos juízes franceses e disse que segue acreditando que isto vai acontecer.

"Não é para hoje", especificou o advogado. "A instrução será longa. O juiz vai estipular certo número de perguntas e estão previstos interrogatórios múltiplos. Esperamos que, antes ou depois, Salah Abdeslam responda às perguntas do juiz" declarou Berton.

Em sua primeira convocação a um tribunal na França, no dia 27 de abril, Abdeslam tinha indicado que falaria, porém mais tarde.

No entanto, o acusado se negou a fazê-lo em maio, quando o magistrado instrutor começou a questioná-lo a fundo sobre o assunto. Já no dia 7 de julho, Abdeslam se negou inclusive a deixar sua cela na prisão de Fleury Mérogis, para ser levado ao tribunal, depois que o juiz solicitou sua presença novamente.

Naquele momento, Berton considerou essa atitude uma forma de protesto pelo regime carcerário ao qual seu cliente está submetido e, em particular, pelo fato de que ele está sendo gravado de forma permanente por câmeras em sua cela.

A presença dos equipamentos de filmagem foi validada pelo Conselho de Estado no final de julho, que opinou que a medida se justifica "pelo contexto de atentados terroristas na França e pela presunção de que (Abdeslam) conta com apoio de uma organização terrorista internacional".

Após ter se tornado o fugitivo mais procurado da Europa durante quatro meses, Abdeslam foi detido em 18 de março em Bruxelas, e a Justiça belga o entregou à França em 27 de abril, quando o suposto terrorista deu entrada na prisão de Fleury Mérogis após ser acusado pelos atentados de 13 de novembro, nos quais morreram 130 pessoas. EFE

ac/rpr

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