Analistas sugerem ações à ONU contra o tráfico de pessoas em conflitos

Nações Unidas, 8 set (EFE).- As Nações Unidas e seus membros podem tomar medidas para combater o tráfico de pessoas nos conflitos, segundo um relatório apresentado nesta quinta-feira por um grupo de analistas, que sugere dez possíveis ações ao Conselho de Segurança.

O texto, impulsionado pela Universidade das Nações Unidas (UNU) com o apoio de Reino Unido e Liechtenstein, propõe entre outras coisas o uso de sanções para combater este tipo de crime ou trabalhar com o setor privado para compartilhar informação úteis.

"Com uma estimativa de 45,8 milhões de escravos, a escravidão moderna é uma das tragédias dos direitos humanos mais significativas de nosso tempo", advertiu na apresentação do relatório Matthew Rycroft, o embaixador britânico perante a ONU.

Rycroft lembrou que o risco de cair nesse tipo de exploração se multiplica nos conflitos, sobretudo onde operam grupos terroristas como Estado Islâmico (EI) e Boko Haram.

Segundo o relatório, estes e outros grupos armados estão impulsionando e organizando a escravidão em uma escala não vista desde a Segunda Guerra Mundial. Como exemplo, o documento mostra que até cinco mil membros da comunidade azidi, sobretudo mulheres e meninas, foram escravizados pelo EI.

"Grupos armados como o EI e Boko Haram estão revivendo abertamente a escravidão e organizando mercados de escravos, utilizando técnicas sofisticadas e institucionalizadas, inclusive as redes sociais", apontou em comunicado o diretor do escritório da UNU em Nova York, James Cockayne.

Por isso, os analistas defendem que o Conselho de Segurança estabeleça um novo marco para ajudar os países a protegerem o povo e punirem os responsáveis.

A ONU poderia trabalhar com setores como o financeiro e o tecnológico para assegurar que seus negócios não facilitem o tráfico de pessoas em áreas de conflito, assinalam.

Segundo o relatório, combatentes do EI utilizaram sistemas de comunicação como Telegram e Whatsapp para vender mulheres como escravas e outros aplicativos para ocultar o dinheiro obtido.

Os autores também citam o uso dos mecanismos de sanções das Nações Unidas para conter este fenômeno e um reforço das capacidades da ONU em zonas de conflito com este objetivo.

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