Contra suposta influência de Assad, ONGs suspendem aliança com ONU na Síria

Nações Unidas, 8 set (EFE).- Mais de 70 ONGs que fornecem ajuda na Síria anunciaram nesta quinta-feira a suspensão da cooperação com a ONU ao considerarem que as operações humanitárias da organização estão influenciadas pelo regime de Bashar al Assad.

"Ficou claro para muitas organizações que o governo sírio em Damasco tem uma influência significativa e substancial no trabalho das agências da ONU com base em Damasco", disseram as ONGs em carta encaminhada às Nações Unidas.

Em resposta, esses grupos decidiram deixar de participar do sistema de troca de informação da organização enquanto não for iniciado um novo, sem nenhum tipo de "influência política".

Além disso, as ONGs exigem uma investigação "transparente" do trabalho das Nações Unidas no país e a instalação de um órgão que vigie as operações de coordenação humanitária na capital.

Essa movimentação ocorre após surgirem nas últimas semanas várias denúncias às Nações Unidas por trabalharem e assinarem contratos com pessoas e entidades próximas a Al-Assad. O porta-voz da ONU Stéphane Dujarric confirmou a recepção da carta e disse que as discussões com as ONGs vão continuar.

Dujarric defendeu a atuação das agências da ONU e lembrou que elas operam em um "contexto extremamente difícil". O porta-voz disse que o governo sírio insiste que as agências trabalham unicamente com uma lista de parceiros autorizados, entidades que as Nações Unidas consideram convenientes para as operações nas áreas controladas pelo regime.

Além disso, lembrou que em uma situação de guerra, frequentemente o número de provedores de certos serviços é muito limitado. "Nossa prioridade é e continuará sendo entregar a maior quantidade de ajuda possível aos sírios", afirmou o representante.

Dujarric lembrou que as Nações Unidas também trabalham em zonas que não estão sob o controle de Damasco e que colaboram com organizações que não estão necessariamente autorizadas pelas autoridades centrais.

De acordo com o porta-voz, a ONU nunca temeu protestar contra o governo sírio quando considerou oportuno, por exemplo perante a decisão de Al-Assad de retirar equipamentos cirúrgicos dos comboios humanitários ou quando negou permissão para a entrega de ajuda em zonas sob seu controle.

"Vamos seguir levantando nossas vozes quando for necessário e, infelizmente, isso é quase diariamente", acrescentou.

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