Mujica prestará depoimento à Justiça sobre liquidação de companhia aérea

Montevidéu, 8 set (EFE).- O ex-presidente do Uruguai, José Mujica, prestará depoimento à Justiça na qualidade de testemunha sobre a liquidação da companhia aérea Pluna, a pedido da defesa de um dos processados do caso, o ex-titular do estatal Banco República (Brou), Fernando Calloia, informou nesta quinta-feira a revista "Búsqueda".

O advogado de Calloia, Gonzalo Fernández, afirmou à revista que pediu a convocação de Mujica devido às "profusas declarações" que realizou "por todos os veículos de comunicação" dizendo que "assumia a responsabilidade pelo sucedido".

"Não é Calloia o responsável, o responsável era eu em última instância, como corresponde. E o disse publicamente. Então não se pode agarrar Calloia como bode expiatório", declarou Mujica em junho de 2015.

Tanto Calloia como o ex-ministro de Economia e Finanças, Fernando Lorenzo, foram processados sem prisão em 2014 acusados de "abuso de funções" pelo caso de falência da Pluna, companhia aérea de bandeira uruguaia da qual o Estado administrava 25% das ações no momento de sua liquidação, em 2012.

Calloia é acusado de tramitar a transferência por US$ 137 milhões dos sete aviões da Pluna à empresa espanhola Cosmo, uma desconhecida no mundo da aeronáutica que se apresentou de surpresa no leilão.

O aval que a Cosmo recebeu do estatal Banco República terminou em fracasso e com indícios, segundo disse a Justiça, que Calloia e Lorenzo cometeram "excessos sobre o marco legal de suas funções", razão pela qual ambos acabaram renunciando.

Perante esta acusação, Calloia decidiu apelar e ganhou a anulação de seu caso, mas em julho de 2015 a Suprema Corte de Justiça uruguaia confirmou o indiciamento por "abuso de funções", revogando a sentença do tribunal de apelações.

A partir desse momento o expediente volta ao juizado penal de crime organizado, e nesse contexto é que o advogado de Calloia pediu o depoimento do ex-presidente, que poderá oferecê-lo por escrito.

No julgamento anterior Mujica não compareceu perante a Justiça porque o promotor naquele momento, Juan Gómez, não considerou pertinente.

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