Vídeo questiona legitimidade de tiros de policial israelense contra palestino

Jerusalém, 8 set (EFE).- Um vídeo divulgado por um canal de TV israelense evidenciou um possível uso excessivo da força por parte de agentes da Polícia de Israel que dispararam na madrugada da segunda-feira na parte leste de Jerusalém contra um carro palestino, matando um dos ocupantes.

O caso aconteceu depois da meia-noite, quando várias unidades da Polícia e a Guarda de Fronteiras patrulhavam as imediações do campo de refugiados de Shuafat, em território palestino ocupado. Segundo a versão dada inicialmente pela Polícia, um veículo palestino tentou atropelar vários oficiais, apesar das reiteradas advertências feitas para que parasse e, "em resposta ao perigo imediato para os oficiais, estes responderam contendo o veículo".

"Foram feitos vários disparos contra o carro. Ambos os suspeitos foram feridos. Um morreu no hospital e o outro sofreu ferimentos moderados", resumiu uma nota oficial.

No vídeo divulgado pelo canal "Nana 10" é possível ver os agentes abriram fogo sobre o veículo já parado.

A vítima foi identificada como Mustafa Nimir, de 27 anos, e o ferido como Ali Nimir, de 25 anos, cunhado de Mustafa.

Após abrir investigação, a Polícia modificou a versão inicial e afirmou que a condução temerária do motorista provocou a morte do jovem, reconhecendo que não se tratou de um ataque como afirmou antes. O palestino foi detido e acusado, entre outros aspectos, de homicídio culposo pela morte do cunhado e de condução sob efeitos de álcool e drogas e sem habilitação.

Os oficiais mantêm a versão de que responderam de maneira razoável dada a grande velocidade que o carro vinha na direção deles, o que fez pensar que suas vidas estavam em perigo.

No entanto, a Corte de Magistratura de Jerusalém rejeitou hoje o argumento policial e afirmou que "há um vazio significativo" entre as provas que vinculem a condução temerária do detido e a morte do cunhado, embora tenha considerado justificado estender a detenção por direção sob os efeitos do álcool, fato com que mostra que o indivíduo "pode representar um risco para a sociedade".

O porta-voz da Polícia, Micky Rosenfeld, disse à agência Efe que o Ministério da Justiça analisa as circunstâncias do caso e que o motorista está sob custódia policial para tentar determinar por que atuou "de maneira temerária".

O primeiro-ministro palestino, Rami Hamdala, se referiu hoje a este caso em comunicado no qual denuncia que o "massacre sistemático de Israel dos palestinos inocentes é intolerável".

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