Rússia e EUA chegam a acordo para nova cessação de hostilidades na Síria

Genebra, 10 set (EFE).- Estados Unidos e Rússia chegaram nesta sexta-feira a um acordo para uma nova cessação das hostilidades na Síria, que começará no próximo dia 12 e compreenderá a paralisação de todas as operações de combate, incluindo os bombardeios aéreos.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, anunciou que após um período de sete dias de respeito da trégua os dois países prepararão ataques coordenados contra posições dos grupos terroristas Frente Al Nusra e Estado Islâmico.

O acordo indica que, paralelamente, a ajuda humanitária deverá começar a entrar de forma regular em todas as cidades assediadas na Síria, o que junto com a redução da violência foi uma condição para que a oposição síria se reincorpore às negociações de paz chanceladas pela ONU.

Foi mencionado em particular o caso de Aleppo e o compromisso de que "todas as partes combatentes" terão que se retirar da estrada de Castello, uma das principais vias de acesso à cidade e em torno da qual será criada uma zona desmilitarizada, permitindo a retomada do tráfego de civis e a passagem de ajuda humanitária.

Kerry descreveu o resultado de meses de negociações entre equipes militares e diplomáticas dos dois países como um plano que pode se transformar em "um ponto de inflexão" para a Síria, após cinco anos e meio de guerra civil que gerou 400 mil mortes.

O secretário de Estado afirmou que este acordo é o de maior alcance já feito e que o governo americano está convencido de que a Rússia tem a capacidade de pressionar o regime de Bashar al Assad para conter o conflito e negociar uma saída política.

"Estamos anunciando um acerto capaz de ser mantido, mas isso dependerá das decisões que forem tomadas tanto pelo regime como pela oposição para respeitar suas obrigações", declarou Kerry à imprensa após longas horas de negociações com o ministro russo.

Sobre os acordos inéditos alcançados hoje, Kerry disse que as forças governamentais não poderão realizar missões de combate em áreas onde os grupos de oposição estão, as quais foram identificadas com grande precisão.

"Assim que este acordo estiver plenamente em vigor, o regime não poderá fazer no futuro o que fez no passado, ou seja, ir atrás da Al Nusra, o que é legítimo, mas na realidade é atacar a oposição moderada", explicou.

Para os EUA, esse aspecto é "a pedra fundamental" do acordo, já que os ataques das forças governamentais foram "as violações mais frequentes" da trégua estipulada no final de fevereiro e e que só se manteve por algumas semanas.

Também em pronunciamento à imprensa, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, explicou que, sete dias depois da entrada em vigor da trégua, seu país e os EUA iniciarão um centro de supervisão conjunta e começarão a compartilhar informações de inteligência.

Uma das funções principais desse centro será "delinear e separar" as áreas onde está a Frente Al Nusra das que são ocupadas pelos grupos rebeldes sírios considerados moderados e que em algumas ocasiões foi praticamente impossível de serem diferenciadas.

Kerry esclareceu que a decisão de atacar a Al Nusra "não é uma concessão a ninguém, mas está nos interesses dos EUA acabar com as organizações filiadas à Al Qaeda na Síria". Ele ressaltou que isto não deve ser feito de forma indiscriminada, mas "estratégica, precisa e inteligente".

A partir da próxima segunda-feira, são esperados sete dias de respeito à paralisação das hostilidades para mostrar à oposição síria que o governo de Bashar al Assad e aqueles que o apoiam estão dispostos a respeitar o que está no documento selado hoje.

Nesse sentido, não será permitida nenhuma tentativa de ganhar ou recuperar territórios aproveitando a pausa nos combates.

Segundo Kerry, os grupos opositores manifestaram sua intenção de se ajustarem ao acordo alcançado em Genebra.

Por sua vez, o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, parabenizou o acerto e disse que se este for respeitado e a ajuda humanitária começar a chegar às áreas assediadas, as negociações políticas poderão ser retomadas.

"A ONU está pronta para entregar a ajuda e fazer todo o possível para apoiar a cessação das hostilidades", garantiu.

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