Mais de 1,3 milhão de muçulmanos iniciam peregrinação com dia de reflexão

Riad, 10 set (EFE).- Mais de 1,3 milhão de muçulmanos procedentes de todo o mundo começaram neste sábado a peregrinação à cidade santa de Meca ou hajj, com uma jornada dedicada à devoção e à reza, em meio a novas medidas de segurança.

Neste primeiro dia os fiéis se reuniram na zona de Mina, cerca de 7 quilômetros ao leste de Meca, onde foram erguidas mais de 180 mil tendas, com capacidade para alojar mais de um milhão e meio de fiéis.

Os peregrinos, vestidos com roupas singelas de cor branca sem costuras, dedicam esta jornada a rezar, ler e recitar o Corão (livro sagrado do islã) ou a discutir assuntos religiosos, e seu próprio nome significa "reflexão" ou "saciar a sede", porque antigamente havia mananciais na região.

Na noite deste sábado, os peregrinos permanecerão nesta área antes de se dirigir entre a madrugada e o meio-dia de domingo ao Monte Arafat, cerca de 20 quilômetros ao leste de Mina, local do rito mais destacado do hajj.

Os fiéis levam consigo todo o necessário para subir e permanecer no Monte Arafat, onde a tradição muçulmana relata que o profeta Maomé pronunciou seu último sermão há 14 séculos.

Amanhã, após o pôr do sol, os fiéis se dirigirão à cidade de Muzdalifah, onde passarão a noite e recolherão calhaus, com os quais lapidarão as três colunas que simbolizam as tentações do diabo, ritual que inicia o primeiro dia do "Eid al-Adha" ou Festa do Sacrifício e se prolonga durante quatro jornadas.

O Eid al-Adha será celebrado neste ano em 12 de setembro e, uma vez cumpridos os rituais estritamente religiosos, os fiéis degolarão um cordeiro para marcar esta festividade, a mais destacada do Islã.

Finalmente, se dirigirão à Grande Mesquita de Meca para completar o hajj dando voltas na "Caaba", onde se encontra a pedra negra que os muçulmanos consideram um pedaço do paraíso.

Neste ano, as autoridades sauditas estabeleceram severas normas de segurança e vigilância para evitar que se repita uma tragédia como a do ano passado, quando cerca de 2 mil peregrinos morreram em uma correria.

O porta-voz do Ministério do Interior saudita, coronel Mansour al Turki, afirmou hoje que o trabalho das forças de segurança é facilitar o cumprimento dos ritos do hajj e que qualquer peregrino que venha com outro objetivo será "controlado" pela polícia.

Al Turki informou que a grande maioria dos devotos já chegou a Mina para este primeiro dia e o movimento se desenvolveu de maneira normal e fluente.

Segundo números divulgados pela agência oficial de notícias saudita "SPA", em 2016 realizam a peregrinação 3,8% menos pessoas que no ano anterior, mais de 52 mil fiéis a menos do que em 2015.

Por sua vez, o Ministério da Saúde indicou hoje que seus centros atenderam 9.895 peregrinos, com mais de 20 operações cardíacas e 171 pessoas que necessitaram de primeiros socorros.

Os hospitais em toda a área da peregrinação contam com cerca de 5 mil camas (500 destinadas à Terapia Intensiva e 550 às urgências), além de 26 mil trabalhadores entre médicos, enfermeiras e trabalhadores da área da saúde.

Além disso, a Saúde contratou 420 tradutores de mais de 67 línguas para facilitar a comunicação entre o pessoal médico e os pacientes.

Por sua vez, o porta-voz do Crescente Vermelho saudita, Bandar Barhim, destacou que contam com 2.530 trabalhadores, entre eles 1.932 médicos e técnicos, e uma frota moderna de ambulâncias totalmente equipadas, assim como 11 helicópteros equipados.

A Defesa Civil também mobilizou mais de 17 mil membros, que contarão com cerca de 3,7 mil equipamentos eletrônicos, assim como com a ajuda de vários voluntários.

Este ente estatal delimitou trajetos e instalou portas eletrônicas para controlar a multidão de peregrinos que se dirigirá a lançar os calhaus contra Satanás, onde no ano passado aconteceu a mortal correria.

A avalanche aconteceu pelo aumento no fluxo de peregrinos e a entrada repentina de muitos deles rumo à área onde era realizado esse ritual, explicou a Defesa Civil naquele momento.

Pelo menos 1.757 peregrinos morreram, segundo cálculos da Agência Efe, e a Arábia Saudita responsabilizou pela desgraça um grupo numeroso de iranianos, que supostamente realizava uma manifestação em sentido contrário ao dos demais peregrinos.

Desde então, a tensão permaneceu elevada entre Riad e Teerã, sem que se tenha chegado a um acordo neste ano para que os peregrinos iranianos possam comparecer a Meca.

A peregrinação é um dos cinco pilares do Islã, junto à "shahada" (profissão de fé), a esmola, a oração e o jejum no mês do Ramadã. EFE

sa/ff

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