Rodrigo Duterte: polêmico no exterior, mas adorado nas Filipinas

Helen Cook.

Manila, 10 set (EFE).- O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, se transformou em um dos políticos mais polêmicos do panorama internacional graças a seus rompantes de grosseria e a sua violenta campanha contra as drogas, enquanto em seu país seus compatriotas o adoram.

"Duterte é a melhor coisa que nos aconteceu em muitos anos. Eu não votei nele, mas estou muito contente que mais de 16 milhões de filipinos tenham votado", declarou à Agência Efe Lolito Suárez, um taxista de 54 anos da capital Manila.

Suárez, como muitos dos filipinos, vê com bons olhos a campanha contra as drogas iniciada por Duterte, que, desde que o presidente tomou posse no último dia 30 de junho, tirou a vida de mais de 2.500 pessoas.

"A toxicomania é um problema com o qual temos que acabar, seja como for, e finalmente temos um presidente que faz alguma coisa", acrescentou o taxista.

Também não lhe parece ruim o último incidente diplomático que Duterte provocou com os Estados Unidos, um dos aliados mais importantes das Filipinas, quando chamou o presidente Barack Obama de "filho da puta" no domingo passado, a menos de dois dias daquela que teria sido a primeira reunião entre os dois.

"É simplesmente sua forma de falar. Obama já disse que não levou pro lado pessoal, portanto, qual é o problema?", questionou Suárez.

Duterte, considerado em seu país como um político espontâneo e com senso do humor, conta com o apoio de importantes figuras locais, como o senador e pugilista Manny Pacquiao, um dos heróis nacionais.

"Meu presidente às vezes diz palavras que não agradam as pessoas que estão a seu redor. Mas eu sempre apoio meu presidente", opinou Pacquiao sobre o insulto de Duterte contra Obama.

O presidente do Senado das Filipinas, Koko Pimentel, também colocou panos quentes, declarou que essa é "sua forma de falar" e acrescentou: "Devemos deixar que nosso presidente seja ele mesmo".

Outros políticos, como o senador e presidente da Cruz Vermelha das Filipinas, Richard Gordon, asseguraram que "não se deve fixar em suas formas, mas no que Duterte está tentando dizer".

As pesquisas não deixam lugar a dúvidas sobre a popularidade de Duterte, que conta com 91% de apoio de seus cidadãos, a porcentagem mais alta já alcançada por um chefe de Estado filipino.

No entanto, a imagem de Duterte é muito diferente no exterior, e em poucos meses de mandato conseguiu escandalizar à comunidade internacional com seu vocabulário infestado de insultos, seus comentários depreciativos e sua falta de respeito com reconhecidas instituições como as Nações Unidas.

Como quando, no último mês de abril, durante a campanha presidencial, fez uma piada de péssimo gosto ao afirmar que teria gostado de abusar sexualmente de uma "bonita" missionária australiana que foi violentada e assassinada em um motim de uma prisão no sul das Filipinas em 1989.

No entanto, sua intervenção mais polêmica aconteceu na segunda-feira passada, quando, em uma tentativa de defender sua polêmica guerra contra as drogas, insultou abertamente o presidente americano.

"Eu sou presidente de um Estado soberano e deixamos de ser uma colônia há muito tempo. Não tenho nenhum mestre a não ser o povo filipino. Você deve ser respeitoso. Não atire perguntas, filho da puta", disse Duterte sobre Obama durante uma entrevista coletiva, visivelmente alterado.

O presidente conseguiu assim estremecer as relações das Filipinas com os EUA, seu aliado histórico e um de seus principais apoios na disputa territorial que Manila mantém com Pequim sobre a soberania de várias áreas do mar da China Meridional.

Não era a primeira vez, no entanto, que Duterte empregava esse palavrão; uma vez que confessou que tinha tido vontade de usar exatamente o mesmo termo contra o papa Francisco durante a visita que o pontífice fez às Filipinas em janeiro de 2015.

Em alusão aos engarrafamentos provocados pela presença de Francisco, Duterte, então prefeito de Davao, no sul das Filipinas, declarou: "Havia tanto tráfego que me deu vontade de dizer ao papa: 'Filho da puta, volte pra casa e não volte a nos visitar'".

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