"Ninguém me pode deter", diz ex-preso de Guantánamo refugiado no Uruguai

Montevidéu, 12 set (EFE).- O sírio Jihad Ahmad Diyab, ex-preso de Guantánamo que está refugiado no Uruguai desde 2014, disse que "ninguém" pode impedi-lo de reencontrar a família, motivo pelo qual realiza uma greve de fome há aproximadamente um mês.

"Eu sei bem o que estou fazendo e vou continuar neste caminho até o final porque desejo reencontrar a minha família no lugar que quero, não importa o que digam", disse Diyab em entrevista ao jornal "La Diaria".

O refugiado sírio também disse ter "esperanças" de reencontrar os parentes no Dia do Muçulmano, celebrado na sexta-feira, 16 de setembro.

Christian Mirza, o elo entre o governo uruguaio e Diyab, declarou à Agência Efe nesta segunda-feira que acredita que o ex-recluso tenha se referido a "uma filha que está perto de se casar" e não a planos concretos definidos com as autoridades.

Mirza afirmou que está "minuto a minuto" em contato com o governo e que, embora ainda não haja nenhuma solução concreta para a situação do sírio, está "descartado que sua família venha" ao Uruguai.

Diyab foi internado no sábado passado no Hospital de Clínicas da capital uruguaia devido a uma piora de seu estado de saúde por conta da greve de fome. No entanto, horas depois decidiu retornar a seu domicílio, apesar de os médicos terem aconselhado que permanecesse no centro de saúde.

Segundo Mirza, o ex-recluso "não quis ser submetido a um exame médico". Diyab afirmou ao jornal que quando foi levado ao hospital, sentiu que havia sido colocado em um "lugar afastado das pessoas, como se o quisessem sozinho, longe do mundo".

"Não gostei disso, e voltei para casa", disse o sírio, que há cerca de uma semana não consome líquidos para ampliar o protesto, que no começo consistia em não ingerir alimentos. Além disso, Diyab explicou que no próximo mês será o casamento de sua filha e que se sente "triste" porque não poderá comparecer.

Há vários dias, um grupo de ativistas, que formaram o grupo "Vigília por Jihad Diyab", se reúne em frente a sua casa, localizada no centro de Montevidéu, para apoiar as reivindicações do ex-recluso.

Diyab deixou o país em meados de junho. No fim de julho, foi ao Consulado do Uruguai em Caracas, onde pediu para ser transferido a outro país para se reunir com a família, mas na saída da sede diplomática foi detido pelas autoridades venezuelanas e deportado ao Uruguai semanas depois.

Em dezembro de 2014, Diyab, três sírios, um tunisiano e um palestino foram amparados no Uruguai como parte do compromisso do então presidente do Uruguai, José Mujica, de colaborar com o líder americano, Barack Obama, no plano de fechamento da prisão de Guantánamo, em Cuba.

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