Opositor cubano Guillermo Fariñas deixa greve de fome após 54 dias

Havana, 12 set (EFE).- O opositor Guillermo Fariñas deixou nesta segunda-feira a greve de fome que mantinha há 54 dias e que havia iniciado para pedir ao governo de Cuba o fim da repressão contra os dissidentes, informou à Agência Efe seu porta-voz, Jorge Luis Artiles.

Fariñas interrompeu a greve a pedido da organização que lidera, a ilegal Frente Antitotalitario Unido (Fantu), cujos membros consideraram que, com a medida extrema, ele conseguiu que a União Europeia (UE) introduzisse em seu acordo com o governo cubano uma emenda "relacionada com o cessar da violência contra a dissidência".

Esta era a 25ª greve de fome de Fariñas, de 54 anos e que em 2010 recebeu o prêmio Sakharov, concedido pelo Parlamento Europeu pela defesa dos direitos humanos.

Em comunicado, o Fantu classificou o resultado da greve de fome de Fariñas como uma "vitória".

"Essa situação abre oportunidades para outras iniciativas no cenário internacional", disse a organização.

Durante os 54 dias do protesto que realizou em sua residência na cidade de Santa Clara, Fariñas foi hospitalizado em quatro ocasiões após desmaiar.

No dia 8 de agosto, ele declarou à Efe estar convicto de que o governo cubano queria cometer contra ele um "assassinato premeditado" por meio da estratégia de não mantê-lo internado ou realizar uma transfusão de sangue, apesar de seu estado físico exigir tais medidas.

O opositor recebeu, desde que começou o protesto, visitas de representantes da Igreja Católica em Cuba e de embaixadas e da União Europeia, que pediram para que ele desistisse da greve.

Após 54 dias de jejum, Fariñas perdeu 22 quilos, e seu peso atual é de 65 quilos, disse Artiles à Agência Efe.

Além disso, ele explicou que Fariñas começou a beber água em pequenas quantidades para depois retomar paulatinamente a ingestão de alimentos sólidos.

Ao longo desta greve de fome e sede, o opositor recebeu sinais de apoio nas redes sociais e também por parte do exílio cubano em Miami.

O governo de Cuba considera os dissidentes "contrarrevolucionários" e "mercenários".

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