Índia rejeita necessidade de missão da ONU na Caxemira

Nova Délhi, 13 set (EFE).- A Índia rejeitou nesta terça-feira o pedido de acesso de uma missão de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) à região da Caxemira, disputada com o Paquistão, e onde há dois meses é registrada uma nova onda de violência.

Em discurso em Genebra, na Suíça, o comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid ibn Ra'ad, reivindicou aos governos da Índia e do Paquistão "acesso incondicional a ambos os lados da Linha de Controle" ou fronteira de fato entre ambos os países na Caxemira.

O Ministério das Relações Exteriores indiano, em nota, ressaltou que a onda de violência na Caxemira indiana começou depois da morte "do autodenominado comandante da organização terrorista Hizb-ul-Mujahideen", em alusão ao líder separatista caxemiriano Burhan Wani morto pelas Forças de Segurança indianas, em 8 de julho.

"O terrorismo é a violação mais repugnante dos direitos humanos e deve ser reconhecido por qualquer observador imparcial e objetivo", ressaltou.

O órgão advertiu que "com relação à sugestão para a visita de uma missão a ambos os lados da Linha de Controle (...), não há comparação entre a situação do estado indiano de Jammu e da Caxemira" e o lado paquistanês, que "se transformou em um centro de exportação mundial de terroristas".

O ministério destacou que no mês passado uma delegação parlamentar indiana visitou a região e analisou o pedido dessa missão internacional, mas "o sentimento unânime foi que a democracia indiana tem tudo o que é requerido para atender reivindicações legítimas".

"O governo permanece completamente comprometido com a normalização da situação o mais rápido possível. Esperamos que a conexão entre terrorismo e violação de direitos humanos possa ser reconhecida em Genebra", asseverou.

Em seu discurso perante o Conselho de Direitos Humanos, Zeid ibn Ra'ad explicou que na sexta-feira passada recebeu um convite do Paquistão para visitar a região, sem que, por enquanto, tenha obtido "uma carta formal do governo da Índia".

As manifestações violentas e a dura resposta policial já deixaram mais de 80 mortos e ao redor de 10 mil feridos nos últimos dois meses na Caxemira indiana. A Caxemira, única região de maioria muçulmana da Índia, é um dos territórios mais militarizados do mundo desde a partilha do subcontinente, em 1947, após a colonização britânica.

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