Menores refugiados desacompanhados põem Alemanha em delicada situação

Juan Palop.

Berlim, 13 set (EFE).- Milhares de menores de idade chegaram à Alemanha nos últimos meses sozinhos buscando asilo, jovens como o iraquiano Ali Hussein, a guineana Kodiatou Kaba e o malinês Siaka, que deixam para trás a violência, mas também suas famílias, em busca de um futuro melhor.

A situação em que vivem e a quantidade que representam hoje são um desafio para o governo alemão, cobrado por especialistas e associações - apesar da generosidade de seu sistema de amparo - que apoie estes jovens para além dos benefícios e da barreira legal dos 18 anos.

Ali Hussein tinha 17 anos quando chegou a Berlim. Ele saiu do Iraque, onde vivia com os pais e dois irmãos mais novos, atravessou a Turquia e percorreu em diferentes transportes, durante quatro dias e quatro noites, a rota dos Bálcãs.

Hoje, dez meses depois, sua vida é bem diferente. A Alemanha lhe deu abrigo e ele vive em um apartamento com outros dois jovens nas mesmas condições.

Agora, está prestes a começar um trabalho como ajudante em uma farmácia de Berlim e já fala alemão fluentemente.

"Aqui também não é fácil, mas com certeza é melhor", admite.

Ali divide o apartamento com Siaka, um menino que deixou para trás a mãe no Mali, esteve a ponto de morrer de sede no deserto e depois cruzou em uma note o Mar Mediterrâneo saindo da Líbia, para chegar à Itália.

"Era muito perigoso. Eu não sabia nadar", lembra o tímido adolescente, que fala um alemão arranhado e que aprendeu a ler e a escrever - e também a nadar - já na Alemanha, a meses de completar a maioridade.

Agora, "se tudo sair bem", ele quer fazer um curso profissionalizante para atender idosos.

Ali e Siaka são só dois exemplos do enorme desafio que o governo alemão tem pela frente com cerca de 60 mil menores de idade não acompanhados que solicitaram asilo desde janeiro de 2015 e também das dificuldades com que topam estes jovens para seguir suas vidas quando finalmente achavam que atingiram a meta.

"O problema é muito grande. Conseguir vaga em um abrigo em Berlim é com ganhar na loteria. Poucos jovens têm essa oportunidade. Atualmente, há milhares deles em hostels, alguns há mais de um ano sozinhos. E a questão é que existe um emprego social para cada 120 jovens", afirma à Agência Efe a coordenadora da ONG Paul Gerhardt Werk, Leonie Steudel-Jacobi.

Para ela, esse grupo necessita de apoios que vão muito além da ajuda material fornecida pelo Estado alemão, que cobre alojamento, educação, manutenção e saúde.

"Os jovens que estão agora em hostels recebem 1 euro por dia (R$ 3,70), uma passagem de transporte público e comida. Em todo o restante eles ficam sozinhos. Isto é, sem vaga no colégio, ninguém os atende e eles mesmos têm que se cuidar. Isto significa, especialmente para as mulheres, ter que se fazer valer", aponta Leonie.

Esse é o caso da guineana Kodiatou Kaba, que tem 19 anos e está há quatro em Berlim.

Ela, que rejeita falar sobre seu passado, tem planos em mente, mas repete de forma insistente, como seus amigos Ali e Siaka, expressões como "se tudo der certo", "tomara" ou "se for possível", deixando transparecer a incerteza sentida.

"Primeiro, quero concluir a minha formação e, se tudo funcionar bem, tirar a habilitação, encontrar um trabalho, trabalhar e, se der tudo certo, formar uma família", relata.

Kodiatou, Siaka e Ali tentam, como podem, manter contato com os parentes, apesar das dificuldades técnicas e da distância. O reagrupamento é um sonho ainda mais distante.

"Eles não podem vir aqui. Não conseguiriam. Eu sou jovem, estou sozinha, posso arriscar, mas eles não, são quatro pessoas", explica Ali.

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